Escolha de Rei Momo magro causa protesto em Salvador

Candidatos gordos sentiram-se lesados com mudança nas regras do concurso para rei do carnaval

Paulo Leandro, Agência Estado

11 de janeiro de 2008 | 17h37

Os derrotados reclamam que a escolha do comerciante Clarindo Silva quebrou o regulamento do concurso promovido anualmente pela Federação dos Clubes Carnavalescos da Bahia, com apoio do Conselho Municipal do Carnaval, formado por entidades ligadas à folia.   Mais de 60 quilos abaixo do mínimo permitido no regulamento original, a candidatura de Silva ganhou peso por representar o consenso entre o governo do Estado, que propõe o reordenamento do carnaval, e a iniciativa privada.   Proprietário da Cantina da Lua, ponto de encontro de turistas no Pelourinho, Silva assumiu a postura de "mensageiro da paz e do amor", como se intitula, e disse que não vai reinar "apenas para blocos de trio ou camarotes, mas também para os catadores de latinha".   O Rei Momo recebe a chave de Salvador, na noite de abertura do carnaval, 31 de janeiro, em uma festa no bairro de Cajazeiras. A folia homenageia a capoeira, e coincide com uma outra festa popular, dedicada à orixá do mar, Iemanjá, no sábado dia 2 de fevereiro.   O presidente do Conselho Municipal do Carnaval, Reginaldo Santos, valorizou a escolha de um rei momo magro, como forma de "rediscutir as questões para fazer as mudanças que a festa precisa".   O sociólogo Ubiratan Castro, presidente da Fundação Pedro Calmon, ligada ao governo do Estado, disse que o uso anterior da gordura "para fins comerciais, era obsceno". Para ele, que já foi rei momo e tem 155 quilos, "toda tradição também pode mudar".   O presidente da Associação dos Gordos e Obesos de Salvador (Asgobs), Edicles Calmon, entrou com representação no Ministério Público contra as novas regras do concurso para Rei Momo.   O vencedor de 2007 e candidato a reeleição, Edgar Passos, não aceitou o ressarcimento pelo dinheiro investido nas fantasias. Os candidatos obesos dizem terem se dedicado a comer mais durante os últimos meses, em uma rígida rotina hipercalórica, e consideram injusto serem reduzidos a "príncipes momos", como é idéia da federação. Durante o Carnaval, eles prometem ir às ruas vestidos de rei.

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