Escova progressiva pode fazer novas vítimas em Goiás

O tratamento de cabelos com alisantes à base de formol, que supostamente teria causado a morte da dona de casa Maria Eni da Silva, em março, em Porangatu (a 426 quilômetros de Goiânia), pode fazer novas vítimas em Goiás. A suspeita é da Secretaria de Vigilância Sanitária, que no fim de semana fez duas novas e importantes descobertas.A primeira ocorreu numa escola de cabeleireiros, onde a Vigilância apreendeu uma escova hidroalisante de chocolate, contendo 3% de formol. A escola fica no centro de Anápolis, a 50 quilômetros de Goiânia, cidade onde já foram identificadas quatro vítimas do produto, todas na semana passada. Uma das mulheres sofreu ferimentos em quase 30% do couro cabeludo."Com certeza, e a partir de agora, o caso terá novos e importantes desdobramentos", afirmou a bióloga Valéria Rodrigues, chefe da Coordenação de Fiscalização da Secretaria de Vigilância Sanitária de Goiás.Valéria Rodrigues revelou, ainda, que além do frasco de alisante a Vigilância também descobriu que o produto é fabricado num laboratório de fundo de quintal com endereço em Nova Iguaçu, no Rio de Janeiro.A coordenadora disse ainda para o Estado que frasco semelhante ao que foi usado nos cabelos da dona de casa Maria Eni da Silva, também foram localizados em Formosa, outra cidade do interior de Goiás. O rótulo aponta que o endereço da fábrica é Brasília, onde os fiscais não encontraram nada.A dona de casa Maria Eni da Silva, 33 anos, morreu dia 21 de março, três dias após aplicar formol misturado a cremes no cabelo. A mistura alisante, através da escova progressiva, foi aplicada num salão de beleza da cidade de Porangatu, onde a mulher morava, a 426 quilômetros de Goiânia (GO).Segundo parentes da vítima e a polícia local, bastou uma aplicação para a poção mágica fazer estragos no couro cabeludo: "O irmão dela disse, no depoimento que antes de ser internada a Maria Eni sentiu coceiras, depois fortes dores de cabeça e falta de ar", relatou a delegada Cinthia Costa, que investiga o caso.Tire suas dúvidas sobre a escova progressiva O presidente da Sociedade Brasileira para Estudo do Cabelo, Valcinir Bedin responde sobre as principais dúvidas sobre o uso da escola progressiva: Qualquer mulher pode fazer escova progressiva ?As restrições são as de sempre. Menores de 12 anos de idade não devem fazer de jeito nenhum, porque essas meninas ainda não têm a produção de hormônios que influenciam o cabelo. Se fizer antes dessa idade pode ter um prejuízo definitivo.A partir daí, pode-se fazer, sempre observando os cuidados para os casos que tenham restrição, do tipo doença do couro cabeludo ou alergia aos componentes, o que é mais sério ainda.As idosas podem fazer também, sem limites, mas o melhor é que as mulheres gostassem do cabelo que têm.Como a mulher percebe que o alisamento não deu certo?As reações imediatas de alergia são irritação nos olhos, secura no nariz e na boca e ardor ou inchaço na cabeça. Se tiver essas reações, a pessoa deve procurar ajuda médica. A longo prazo, não há problemas.O cabelo pode ficar mais frágil. E é importante que a pessoa saiba qual produto causou a reação alérgica, para evitá-lo.A longo prazo a escova progressiva pode trazer danos à mulher, mesmo que tenha sido feita de forma correta?Não há evidências desse fato. O cabelo pode ficar mais frágil, quebradiço, porque a escova mexe na estrutura capilar, mas pode-se fazer sem restrição. Os riscos1) O uso do formol em cosméticos é permitido apenas nas funções de conservante (no limite máximo de 0,2%) e como agente endurecedor de unhas (limite máximo de 5%). Como alisante, o formol age destruindo as moléculas que dão forma aos fios de cabelo e por isso, provoca ressecamento.2) O uso dessa solução em alisantes resulta em graves riscos à saúde como irritação, dor e queimadura na pele, ferimentos em vias respiratórias e danos irreversíveis aos olhos e ao cabelo. 3) O formol é considerado cancerígeno pela Organização Mundial de Saúde (OMS). 4) O que deve ser observado no rótulo: o número do registro na Anvisa, o modo de uso, o prazo da validade, as advertências e restrições de uso.5) Os alisantes capilares são registrados para uso comercial e/ou profissional, com concentrações e condições de uso diferenciadas. Quem não atuar na área, não deve adquirir um produto de uso profissional.6) No salão, observe se o profissional é experiente; se o produto possui registro na Anvisa; E se a substância ativa que será utilizada não vai causar reação com produtos usados anteriormente no cabelo. Tenha certeza de que todas as etapas foram respeitadas e se o tempo de pausa foi obedecido.7) Os alisantes registrados na Anvisa não têm formol na composição. A legislação brasileira aprova o uso de outras substâncias para alisamento capilar, como: ácido tioglicólico, hidróxido de sódio, hidróxido de lítio, carbonato de guanidina e hidróxido de cálcio.8) Se perceber que o profissional vai usar formol, a cliente deve se recusar a fazer o tratamento e acionar o órgão de Vigilância Sanitária de sua cidade.

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