Escritórios ''admitem'' cães e gatos

Psicóloga afirma que animais no ambiente corporativo reduzem stress

Laura Diniz, O Estadao de S.Paulo

13 de julho de 2008 | 00h00

Bartolomeu tem cara de mau, mas é um tremendo paspalhão. O bull dog inglês, do empresário Vinicius Barbosa, oferece a patinha, com o charme rechonchudo dos seus cerca de 30 quilos, para qualquer um que lhe dá lado. Cansa após dar uma volta no quarteirão e vive roncando pelos cantos da distribuidora de bebidas de seu dono. Já chegou a dormir no pé de um cliente, durante uma reunião, cativando-o para sempre. "O cachorro tira toda a frieza da empresa. Os meus 15 funcionários brincam com ele para desestressar", diz Barbosa, que levou o cão da casa para o escritório para ficar mais tempo com ele.Ter um mascote no escritório ou levar seu próprio animal de estimação para o trabalho é uma tendência que começa a ganhar espaço em São Paulo pelo bem-estar que promove. Segundo a psicóloga Silvana Prado, da Organização Brasileira de Interação Homem-Animal-Coração (OBIHACC), a prática ainda é informal, mas tende a se institucionalizar. "Nos Estados Unidos, isso ocorre há anos. Em algumas empresas, há dias certos para levar os cães. Aqui, isso está chegando agora."A organização começou suas atividades com dois principais projetos: levar cães em asilos e em hospitais, para promover bem-estar. Agora, segundo Silvana, incentiva também a presença de cachorros em escritórios, argumentando que os animais "resgatam a afetividade, reduzem a ansiedade e incentivam a integração das pessoas no ambiente de trabalho".A assistente de Recursos Humanos Daniela Fernandes da Silva, de 23 anos, diz que o escritório onde trabalha "fica mais leve" quando a cachorra Neela está por lá, passando de colo em colo, duas vezes por semana. "Quando a gente se estressa, pega a bolinha, brinca com ela e tudo se resolve", afirmou. A daschund Neela é da colega de trabalho Vera Gomes, gerente administrativa, totalmente louca pela filhota. "Eu vim de uma multinacional. Hoje trabalho numa empresa menor, mas tenho muito mais qualidade de vida. A Neela faz parte dessa vida. Em todas as minha decisões profissionais daqui para a frente, ela vai influenciar."Segundo Silvana, uma pesquisa da agência americana de empregos Simply Hired e do site Dogster apontou que um terço dos donos de cães aceitaria uma redução salarial de 5% em troca de poder levar seus mascotes ao escritório. "Eu toparia fácil", emendou a dona de Neela, ao saber do levantamento.O empresário Fernando Reis Júnior, sócio de uma empresa de publicidade, é um dos mais novos adeptos da prática: tem a cocker Micaela no escritório de São Paulo, a labradora Mica e a gata Bigode no Rio. "A Micaela foi encontrada na rua, a Mica foi dada por um amigo e a Bigode foi adotada", explicou. Segundo ele, o astral do escritório melhorou tanto desde que os animais chegaram que os funcionários não reclamam nem de limpar, de vez em quando, as cacas que eles espalham. Além da companhia e das histórias divertidas na empresa, os animais alegram até quem não trabalha lá. "Os bichos fazem companhia na recepção e as pessoas nem ligam muito de esperar." Com tanta satisfação, a prole tende a aumentar. "Quero mais um cachorro e uma tartaruga", diz Júnior.

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