Escritórios estrangeiros procuram parcerias

Com as diversas exigências da Prefeitura para que as empresas na licitação da Nova Luz tenham uma "notória especialização" e "larga experiência no desenvolvimento de projetos de reurbanização", conforme palavras do edital, escritórios de arquitetura de São Paulo já estão sofrendo assédio de grandes conglomerados estrangeiros. O consenso entre os especialistas é de que o próprio governo municipal espera que o vencedor seja um consórcio de empresas brasileiras e do exterior, possivelmente unindo a expertise paulistana com os recursos de uma grife internacional. O escritório do arquiteto inglês Norman Foster é um dos que já procuram profissionais de São Paulo para uma dobradinha. "Uma licitação só com consórcios entre empresas brasileiras e estrangeiras é uma coisa inédita, mas acho que a experiência pode ser muito bem-vinda para São Paulo", diz o arquiteto Paulo Kawahara, da Jaime Lerner Arquitetos Associados. O arquiteto Jorge Wilheim, por exemplo, já foi procurado por um escritório europeu. Paulo Bastos, responsável pelo restauro da Catedral da Sé e da Casa das Retortas, também confirma que recebeu sondagens de algumas empresas - ele, no entanto, defende um concurso com empresas brasileiras. "Eu acho que os escritórios do País têm qualificação suficiente para fazer esse trabalho, além de ter um conhecimento bem específico sobre a área", diz Bastos. "Os problemas mudam de um país para outro, as características das intervenções são muito diferentes. São Paulo tem peculiaridades que só nós conhecemos. Na Nova Luz, temos uma área plana, com toda a infraestrutura pronta, mas subutilizada. É preciso readequar os espaços, criar um bairro que funcione 24 horas por dia. E os arquitetos daqui têm condições de sobra para fazer essa proposta."

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