Escrivão mata delegado por causa de cheque

Ele foi baleado em delegacia após discussão por sumiço de documento

Marcelo Godoy, O Estadao de S.Paulo

07 de abril de 2009 | 00h00

Pelo sumiço de um cheque de dentro de um inquérito, o escrivão Henrique Dejol sacou sua pistola calibre 40 e atirou no abdome do delegado Ricardo Gian Maluf. A bala acertou a veia cava e o pâncreas do policial, que morreu no Hospital Municipal de Diadema à noite. O crime ocorreu às 11 horas de ontem na Delegacia de Investigação de Entorpecentes (Dise).O delegado havia percebido o desaparecimento de um cheque apreendido durante uma investigação sobre tráfico. Havia uma semana que ele questionava o escrivão Dejol sobre o paradeiro do documento. Como o delegado contava ser transferido de Diadema para o Departamento de Investigações sobre o Crime Organizado (Deic) ainda nesta semana, ele procurou ontem o escrivão para cobrar novamente o subordinado. "É bom você dar conta desse cheque, senão você vai se f...", teria dito. O escrivão se irritou, sacou a pistola, dizendo: "Eu não vou me f... coisa nenhuma". Em seguida, atirou.Depois de balear o chefe, o escrivão tentou fugir, mas foi detido pelos colegas. "Ele foi autuado em flagrante por homicídio", afirmou o delegado Alexandre Sayão, diretor do Departamento de Polícia Judiciária da Macro São Paulo (Demacro), responsável pelas delegacias dos municípios da Região Metropolitana de São Paulo. Dejol foi levado para o Presídio Especial da Polícia Civil no Carandiru. A arma do escrivão foi apreendida e será enviada à perícia. Na tarde de ontem, Sayão pediu, por meio do Centro de Operações da Polícia Civil, que doadores de sangue fossem a Diadema ajudar o delegado baleado - a vítima havia recebido já nove bolsas de sangue. Maluf morreu na cirurgia, por volta das 23 horas."Os médicos disseram que a cirurgia era complexa, que a cavidade abdominal estava com muito sangue", disse o diretor. O escrivão acusado trabalha há dez anos na Polícia Civil. O delegado era casado e tinha três filhos. Antes de trabalhar em Diadema, já havia prestado serviço no Departamento Estadual de Investigações sobre Narcóticos (Denarc).

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