Escuta identifica mais 120 linhas telefônicas do PCC

A partir de escuta autorizada pela Justiça de uma linha de celular que operava dentro do Complexo Penitenciário de Hortolândia, o maior do Estado, a Delegacia de Investigações Gerais (DIG) de Campinas (95 quilômetros a noroeste de São Paulo) descobriu 120 linhas telefônicas usadas porintegrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC), 90% delas operando no interior de presídios de todo o Estado.Uma pessoa, cuja identidade é mantida em sigilo, acusada de intermediar a compra das linhas, foi detida, interrogada e liberada pela polícia de Campinas, comentou o delegado da DIG, Hamilton Caviola Filho. Ele afirmou que as investigaçõestiveram início há cinco meses.Segundo Caviola Filho, as escutas revelaram que já há articulação, ainda que tímida, para a definição de novos líderes no PCC, em substituição aos que foram isolados pelo Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) em presídios de segurança máxima, com bloqueador de celular. ?A articulação ainda é muito crua, mas não podemos deixar que o PCC ressurja das cinzas?, afirmou.O delegado disse que está aguardando um relatório da Telesp Celular, que atua em São Paulo, para saber quais linhas ainda estão em operação das 120 citadas nas conversas telefônicas. ?Não pudemos monitorar todas, nem temos pessoal paraisso?, disse. Com a lista em mãos, pedirá na Justiça o bloqueio de quase todas asque estiverem operando.Caviola Filho comentou que com exceção de ?três ou quatro linhas?, as outras pertencem à baixa hierarquia do PCC. ?Falam muita bobagem?, afirmou, dizendo que poderá manter a escuta nessas linhas. Ele disse que conter a organização, bloqueando sua comunicação, será o primeiro passo, e o segundo, identificar os donos das linhas.?Eles falam em código e somente se identificam por apelidos?, disse o delegado. A maioria das conversas, conforme ele, gira em torno de mulheres, armas e drogas. Caviola Filho acrescentou que o Deic não se opôs ao pedido de cancelamento das linhas telefônicas.O promotor da Vara de Execuções Criminais de Campinas, José Hebert Teixeira, elogiou o trabalho da DIG e revelou que algumas escutas renderam prisões na região. ?A escuta feita legalmente pode servir como prova?, disse.O promotor de São Paulo que acompanha investigações sobre o PCC, RobertoPorto, comentou que no último levantamento feito pelo Deic foram descobertas pelomenos 100 centrais telefônicas do PCC no Estado.Ele comentou que é preciso monitorar constantemente a organização criminosa econsiderou correto o pedido de cancelamento das linhas telefônicas.

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