Escutas indicam que família de Boldrini tentou movimentar conta do médico

Justiça havia determinado o bloqueio dos bens de Leandro Boldrini, preso sob suspeita de planejar a morte do menino Bernardo

Elder Ogliari , O Estado de S. Paulo

21 de julho de 2014 | 23h11

PORTO ALEGRE - Escutas telefônicas feitas pela Polícia Civil com autorização da Justiça indicam que familiares tentaram movimentar contas bancárias do médico Leandro Boldrini quando ele já estava preso como suspeito de planejar a morte do filho, Bernardo Uglione Boldrini, de 11 anos. O material foi obtido pela RBS TV, afiliada da Rede Globo no Rio Grande do Sul, e divulgado na noite desta segunda-feira, 21, em programas jornalísticos locais e no Jornal Nacional.

Em 25 de abril, 21 dias depois do assassinato e 11 dias depois da localização do corpo e da prisão de Leandro, da madrasta Graciele Ugulini e da amiga dela, Edelvânia Wirganovicz, o Ministério Público pediu e obteve da Justiça o bloqueio dos bens do médico. Ao mesmo tempo, a investigação policial detectou conversas entre um advogado amigo da família e dois irmãos do médico tratando de retirada de dinheiro de um banco para depósito em conta de um familiar. "Porque os caras vão bloquear tudo e tem que ir lá a tempo. Tudo o que conseguir passar para o teu nome passe", diz um trecho da escuta. O conteúdo vazado não informava se houve saques ou não.

Contradições. A mesma emissora também obteve trechos dos depoimentos iniciais de Graciele e Edelvânia, nos quais aparecem algumas contradições. A amiga da madrasta conta que o crime foi arquitetado por Graciele, que teria lhe dito que vinha planejando tudo havia tempo. Também confessou que viu a parceira aplicar uma injeção na veia do menino e ajudou a ocultar o cadáver, sobre o qual a madrasta jogou soda cáustica na tentativa de reduzir o cheiro da decomposição. 

A enfermeira negou a intenção de matar o menino e alegou que não aplicou injeção, mas deu calmantes porque ele estaria agitado, admitindo que pode ter dado remédios em excesso. Ao constatar a morte, sustenta que a "única saída que viu" foi "dar um jeito no corpo" e enterrá-lo em local que teria sido indicado por Edelvânia.

O crime ocorreu no dia 4 de abril, quando Graciele levou o enteado em uma viagem de Três Passos, onde a família morava, para Frederico Westphalen, a 80 quilômetros, a pretexto de consultar uma benzedeira. Câmeras de segurança mostraram a madrasta e a amiga embarcando com o menino em um automóvel e voltando mais tarde sem ele.

O depoimento de Edelvânia levou a polícia a localizar o corpo. Logo depois, as duas mulheres e o médico foram presos. Posteriormente,a Justiça decretou a prisão preventiva de um quarto suspeito, o motorista Evandro Wirganovicz, irmão de Edelvânia, que teria participado ou saberia da abertura da cova em um matagal.

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