Espaços do governo são 'finitos', afirma Dutra

BRASÍLIA

Vera Rosa / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

11 Novembro 2010 | 00h00

Depois de ouvir a cobrança da fatura apresentada por 10 partidos aliados a Dilma Rousseff, o presidente do PT, José Eduardo Dutra, afirmou ontem que, apesar da ambição de todos, os espaços do governo são "finitos". Dutra passou os últimos dois dias recebendo uma romaria de políticos, munidos de listas de reivindicações, mas avisou que desempenhava, ali, o papel de simples "coletor" das demandas.

"Nenhum ministério é propriedade de ninguém", disse ele. "Vai ser formado um novo governo e a presidente eleita é que vai decidir se continuará a ocupação dos espaços nos moldes do atual ou se vai propor modificações. A equação para garantir a participação de todos será feita por ela, mas os espaços do governo são finitos."

O PMDB do vice-presidente eleito Michel Temer (SP) quer manter sob seu domínio os ministérios da Saúde, Minas e Energia, Integração Nacional, Comunicações, Defesa e Agricultura, além do comando do Banco Central e de postos estratégicos em estatais, como a Petrobrás.

O PRB do atual vice, José Alencar, cobra, por sua vez, assento em um ministério. Com a eleição de Dilma, o partido nanico perderá a vaga de vice e não terá mais lugar de destaque na Esplanada. O projeto do PRB é emplacar o senador eleito Marcelo Crivella (RJ) em alguma cadeira. No segundo turno, Crivella integrou o núcleo evangélico da campanha, que agiu para dissipar rumores contra Dilma sobre a legalização do aborto.

"Não estamos em um leilão de oferta de cargos, mas é evidente que todo o partido quer ocupar o seu espaço. Política se faz assim", resumiu o presidente do PRB, Vitor Paulo dos Santos.

Até mesmo o PTB, que integrou a aliança de José Serra (PSDB), está de olho no Ministério do Turismo, dirigido pelo partido antes do escândalo do mensalão, em 2005, e hoje capitaneado pelo PT. "Existe a tendência de o PTB reivindicar o Turismo, sim. Uma coisa é o partido, que ficou com Serra, e outra, os parlamentares. A maioria apoia o governo Lula e vai apoiar Dilma", disse o senador Mozarildo Cavalcanti (PTB-RR).

Os ministérios do Esporte e das Cidades também viraram alvo de cobiça. As reivindicações dos aliados devem ser entregues à presidente eleita no fim de semana. "Eu não gostaria de estar na pele da Dilma nesse momento", brincou o ministro do Trabalho, Carlos Lupi (PDT).

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