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Espanha desarticula rede de prostituição que explorava homens brasileiros

Cerca de 80 pessoas entre 22 e 29 anos vindas do Maranhão recebiam drogas como cocaína e viagra para se prostituirem '24 horas por dia'

Efe

31 de agosto de 2010 | 19h27

MADRI - A Polícia espanhola desarticulou pela primeira vez uma rede dedicada à exploração sexual de homens, que saíam do Brasil e recebiam cocaína, popper (uma droga para estimulação sexual) e viagra "para se prostituírem 24 horas por dia", segundo comunicado.

 

Ao todo, a rede pode ter trazido à Espanha quase 80 pessoas do Maranhão, dos quais 80% eram homens e os demais travestis e mulheres, na mesma proporção, informaram hoje os responsáveis pela operação em entrevista coletiva.

 

Parte das vítimas, com idades entre 22 e 29 anos, sabia que vinha para trabalhar com prostituição, embora acreditassem que o fariam em outras condições, enquanto outros desconheciam e acreditavam que seriam contratados como "gogoboys", dançarinos e modelos.

 

Sob ameaças de morte, os meninos ficavam disponíveis 24 horas para prostituírem-se e para poder manter relações sexuais continuamente os responsáveis pela rede forneciam a eles "popper" (uma droga para estimulação sexual), viagra e cocaína, informaram os agentes.

 

As vítimas viviam amontoadas em apartamentos - em um pequeno quarto com dois ou três beliches dormiam entre quatro e seis -, que contavam com um pequeno salão, onde se apresentavam para os clientes, na maioria homens com idade entre 20 e 65 anos, com os quais depois mantinham relações sexuais.

 

Por seus serviços, cobravam 60 euros (US$ 75), embora a metade do dinheiro ficasse com os chefes da rede. Ainda precisam pagar 4 mil euros (US$ 5 mil) relativos aos custos da viagem até a Espanha.

 

Os jovens deviam entregar ao dono do apartamento ou ao encarregado 50% dos lucros, além de 200 euros cobrado pelo alojamento e manutenção.

 

A organização fornecia às vítimas uma bolsa de viagem e o bilhete de avião, que era comprado com cartões clonados, e para não levantar suspeitas antes de virem à Espanha passavam por outros aeroportos de países como França e Itália.

 

Na operação foram detidas 14 pessoas, entre eles o líder da rede, de origem brasileira, além das vítimas que estavam na Espanha em situação irregular, explicaram os responsáveis pela operação da central de Redes de Imigração.

 

A rede contava com cinco apartamentos em diferentes províncias espanholas, mas havia vítimas que trabalhavam em casas de prostituição.

 

As investigações sobre a rede, que atraía aos clientes por meio de anúncios na seção de contatos de jornais locais e em diferentes sites, onde postavam fotografias dos meninos disponíveis, começaram em fevereiro, quando um deles denunciou os fatos.

 

Além dos delitos contra os direitos dos cidadãos estrangeiros, relativos à prostituição, contra os direitos dos trabalhadores e formação de quadrilha, os chefes da rede serão acusados de proporcionar droga e outras substâncias ilegais tanto aos clientes quanto às próprias vítimas.

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