Espanha ignora apelos do governo e deporta 20 brasileiros

Em resposta, o Itamaraty estuda 'reciprocidade' no caso e pode barrar entrada de espanhóis no País

Lourival Sant'Anna, O Estado de S. Paulo

06 de março de 2008 | 15h41

O governo age, nesta quinta-feira, 6, em três frentes para tentar conter a crescente deportação de brasileiros da Espanha, depois que cerca de 30 cidadãos do País ficaram retidos no Aeroporto de Madri, na quarta-feira. O chanceler Celso Amorim emitiu uma dura nota oficial, o secretário-geral de Relações Exteriores, Samuel Pinheiro Guimarães, convocou o embaixador espanhol em Brasília e o embaixador do Brasil em Madri, José Viegas Filho, apresentou uma queixa na Chancelaria da Espanha. Espanha veta entrada de 30 brasileirosSaiba como agir se for barrado em aeroporto Policiais espanhóis chamaram brasileiros de 'cachorros', diz mãeBrasil ameaça restringir entrada de espanhóis no PaísBrasil deve adotar medidas contra espanhóis?     Depois de tudo isso, 20 brasileiros foram deportados, incluindo dois pesquisadores do Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro (Iuperj), que só queriam fazer uma conexão para Lisboa, para participar de um congresso da Associação Portuguesa de Ciência Política. Pedro Lima e Patrícia Rangel devem chegar nesta sexta-feira, 7, ao Rio. Na nota, Amorim, que estava na República Dominicana, adverte que o Brasil estuda recorrer à "reciprocidade", o que, em linguagem diplomática, significa que poderá retaliar recusando a entrada de espanhóis no Brasil. O embaixador Viegas ouviu de um funcionário do gabinete do chanceler Miguel Ángel Moratinos que o Ministério de Relações Exteriores espanhol "está muito preocupado com o tema, e fazendo gestões internas para reduzir e impedir a repetição desses problemas". O controle de entrada fica a cargo da Delegacia de Imigração, subordinada ao Ministério do Interior. Os funcionários seguem critérios objetivos para a recusa da entrada de passageiros, como a exigência de que tenham pelo menos 58 euros para gastar por dia de estadia prevista ou a carta de um banco comprovando limite suficiente de cartão de crédito; passagem de ida e volta, comprovante de reserva de hotel ou, se vão ficar na casa de alguém, uma carta dos anfitriões seguindo um modelo definido pela Delegacia de Imigração. E há também critérios mais subjetivos. Por exemplo, se a bagagem é muito volumosa, e contém roupas de verão quando se está no inverno, já é motivo de desconfiança.  A maioria dos "inadmitidos" está na faixa etária entre 20 e 35 anos. Eles aguardam julgamento de seu caso por um juiz, assistidos por um advogado público. Se sua deportação é confirmada, têm de esperar que a mesma companhia na qual vieram tenha assento disponível no vôo de volta. Isso pode demorar dias. Eles ficam numa área isolada do aeroporto, com sala e quartos com beliches. Há brinquedos para as crianças, já que famílias inteiras também ficam retidas. Recebem água e sanduíches. Na sala, o consulado-geral do Brasil colocou um cartaz com um número de telefone, que eles podem chamar, comprando um cartão e usando um telefone público - já que seus celulares são apreendidos. Alguns ligam para o consulado, outros preferem falar apenas com suas famílias no Brasil.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.