Espanha, Inglaterra e Portugal são severos contra imigrantes

A Espanha foi o país que mais deportou brasileiros em 2007, segundo dados da agência européia para fronteiras

da Redação, estadao.com.br

07 de março de 2008 | 10h09

A ação da Espanha contra a imigração não é uma política isolada de Madri e faz parte de uma diretriz de toda a Comunidade Européia para lidar com a questão da chegada de estrangeiros na região. O bloco ainda negocia medidas para tornar ainda mais difícil a entrada de estrangeiros em qualquer dos aeroportos e portos dos 27 países do bloco a partir deste ano. Em 2007, o Brasil foi o segundo país latino-americano que mais teve deportações na Europa. O País foi superado apenas pela Bolívia, segundo os dados preliminares da Agência da Europa para Fronteiras (Frontex). Veja tambémSaiba como agir se for barrado em aeroporto Policiais espanhóis chamaram brasileiros de 'cachorros', diz mãeBrasil ameaça restringir entrada de espanhóis no PaísBrasil deve adotar medidas contra espanhóis?   No primeiro semestre de 2007, a Frontex ainda realizou uma ampla operação contra os imigrantes latino-americanos e, em apenas três semanas, impediu a entrada de quase 500 brasileiros nos aeroportos de Paris, Madri, Barcelona, Roma, Londres, Lisboa e Frankfurt. Nos próximos meses, a UE pode até mesmo aprovar uma resolução que obrigará o registro completo de todos os estrangeiros que passem pelo continente, turistas ou não. Em 2007, o número de africanos chegando até as ilhas Canárias já caiu em 60% diante das medidas adotadas.  Espanha, Reino Unido e Portugal, atualmente são tidos como os países mais severos quando o assunto é a entrada de estrangeiros no território deles. Na Espanha, por exemplo, a explicação para o aumento de casos de deportação é resultado de pressões que o governo do primeiro-ministro socialista José Luis Rodríguez Zapatero vem sofrendo da oposição e da União Européia para controlar a imigração. Em pleno processo eleitoral - as eleições gerais acontecem no domingo, Zapatero é acusado pelo líder da oposição, Mariano Rajoy, do direitista Partido Popular, de sobrecarregar os serviços sociais - saúde, educação, seguro-desemprego, refeições para os pobres - com os estrangeiros. "Como eles têm renda menor, acabam tomando o lugar dos espanhóis", disse Rajoy no último debate, na segunda-feira. Seu mote: "Não cabemos". O líder direitista propõe mudanças na lei, estabelecendo a expulsão imediata de estrangeiros envolvidos em crimes, antes mesmo de seu julgamento, e a obrigação de firmar um contrato comprometendo-se a respeitar os "valores e costumes" espanhóis. A piada na Espanha é que os imigrantes terão de assistir a touradas, gostar de tortilla e dançar flamenco. O governo espanhol alega que tem sido pressionado pela União Européia a exercer maior controle. Na Delegacia de Imigração do Aeroporto de Barajas, funcionários de outros países europeus acompanham os trabalhos dos espanhóis. Pelos Acordos de Schengen, firmados a partir de 1985, não há controle de circulação de pessoas entre as fronteiras da UE e de alguns países vizinhos, como a Suíça. Assim, o controle só é exercido no desembarque de quem vem de fora do chamado Espaço Schengen. Passageiros vindos de países de dentro desse espaço, como é o caso dos que fazem conexão, não passam mais por nenhum controle. A Espanha foi o país que mais deportou brasileiros em 2007, seguido de Estados Unidos e Inglaterra. Segundo a Polícia Federal (PF), só no ano passado, 192 brasileiros foram obrigados a deixar a Espanha. O número de deportações e expulsões na Espanha aumentou em relação a 2006, quando foram 187. No entanto, houve diminuição no número total de brasileiros barrados no Exterior: em 2006, foram 2.483, já no ano passado, foram 1.217 - menos da metade. A PF informou que não há estatísticas de anos anteriores a 2006.  Documentos do governo britânico mostram que os brasileiros são a maior fatia de pessoas, entre todas as nacionalidades, barradas ao tentar entrar no Reino Unido. Dados do escritório britânico responsável pela fiscalização em aeroportos mostram que os brasileiros representaram 16,2% do total de não-admissões. Representantes diplomáticos do Brasil no Reino Unido afirmam que o alto índice de brasileiros cujo ingresso é negado já em aeroportos, portos e estações ferroviárias pode ser explicado, em parte, pelo fato de os cidadãos do país não precisarem de visto para entrar em solo britânico como turistas. O Home Office, órgão britânico de controle de imigrantes, diz que não discrimina nacionalidades e que as recusas são decididas por critérios públicos. Deportação e expulsão  Os casos de deportação ocorrem quando uma pessoa entra legalmente em um país e passa para a ilegalidade. A repatriação é quando o indivíduo já entra ilegal no país e a expulsão é o processo político pelo qual passa alguém que foi considerado "persona non grata" por uma nação. Os expulsos terão muitas dificuldades de voltar ao país, enquanto que os demais podem tentar mais facilmente um retorno. (Colabora Jamil Chade e Lourival Sant'anna, de O Estado de S. Paulo)

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