Espanha pedirá extradição de procurado preso em São Paulo

'El Negro' é acusado de ser um dos maiores narcotraficantes espanhol e suspeito de ter sido sócio de Abadía

Efe,

06 Fevereiro 2009 | 12h49

A Espanha pedirá ao Brasil a extradição de Carlos Ruiz Santamaría, conhecido como "El Negro", que está preso com identidade falsa há nove meses no CDP de Pinheiros, em São Paulo. Ele era procurado pela Justiça espanhola desde dezembro de 2001, acusado de narcotráfico. Uma vez que seja extraditado, seu processo na Espanha será muito rápido, já que sua fuga aconteceu faltando poucas semanas para que começasse o julgamento no qual a Procuradoria pede 60 anos de prisão e multa de US$ 370 milhões.   Veja também: PF prende 8 traficantes ligados a Abadía Preso traficante procurado na Espanha PF apreende 3,8 toneladas de cocaína no Paraná Abadía é extraditado para os Estados Unidos Outros criminosos que se refugiaram no Brasil  Imagens da operação que prendeu Abadía Todas as notícias sobre a prisão de Abadía    Ruiz Santamaría fora detido em 1999 na Espanha, com mais 40 pessoas e uma carga de 11 toneladas de droga, mas, em dezembro de 2001, dias antes de ser julgado, obteve a liberdade pagando uma fiança por motivos de saúde e fugiu. Ele está preso em São Paulo desde 2 de maio de 2008, quando foi detido por narcotráfico e apresentou uma identidade com o nome de Manoel Oliveira Ortiz, natural de Minas Gerais.   Sua verdadeira identidade foi descoberta por agentes do Departamento de Pesquisas sobre o Crime Organizado (Deic), ao examinar as atividades ilegais de uma empresa que estava em nome de Oliveira Ortiz. Os investigadores descobriram que, apesar de uma de suas empresas estar registrada como de serviços de limpeza, tinha atividades totalmente diferentes, como aluguel de aviões.   "Uma empresa de limpeza que passa a negociar com aviões é uma empresa que tem características de lavagem de dinheiro do narcotráfico", disse à agência Efe um porta-voz do Deic. Posteriormente, durante um interrogatório, os agentes notaram que apesar de falar bem português, o preso deixou escapar algumas palavras em espanhol, e, ao ser descoberto, admitiu que usava uma identidade falsa.   Os policiais cruzaram as informações obtidas no interrogatório com dados da Interpol e chegaram à conclusão de que se tratava de Ruiz Santamaría, que na Espanha afirmou ser de nacionalidade mexicana, o que negam as autoridades do México.   Segundo a polícia, ele é apontado como ligação entre os cartéis colombianos na Europa e suspeito de ter sido sócio do traficante colombiano Juan Carlos Ramírez Abadia, preso em São Paulo em 2007 e extraditado aos Estados Unidos. Na Espanha, ele é acusado de manter uma base de distribuição de cocaína para a Europa, segundo a polícia de São Paulo.

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