Espanha prende policiais por ligação com prostituição de brasileiras

Operação prendeu mais de 50 pessoas, suspeitas de lavagem de dinheiro vindo do tráfico de prostitutas

Anelise Infante, BBC

25 Outubro 2010 | 15h06

MADRI - A polícia espanhola prendeu nesta segunda-feira um coronel, um delegado e um membro da polícia nacional (equivalente à Polícia Federal do Brasil) acusados de envolvimento com uma rede de prostituição brasileira.  As detenções desta manhã deram início à segunda fase da chamada Operação Carioca, iniciada no final de 2009, na qual já foram detidas mais de 50 pessoas.

Além do coronel José Herrera, chefe da Guarda Civil da província de Lugo (noroeste do país), já foram presos na operação o assessor do governo local, Jesus Otero, e funcionários públicos do departamento de imigração da província local.  A assessoria de imprensa da polícia nacional disse à BBC Brasil que ao menos "11 ou 12 militares de diversas patentes foram indiciados na organização", que enviava mulheres brasileiras para cinco prostíbulos em Lugo.

Segundo a polícia, a Operação Carioca foi desatada depois que surgiram suspeitas de lavagem de dinheiro proveniente do tráfico de prostitutas brasileiras.  As primeiras investigações levaram à prisão do alto comando da Guarda Civil de Lugo, acusado de participar da quadrilha que seria chefiada pelo empresário José Manuel García e pelo policial civil Amando de Lorenzo.

Em agosto passado, uma série de incêndios nos prostíbulos investigados chamou a atenção dos detetives. "Estamos convencidos de que as explosões (de botijões de gás) foram provocadas. Muito provavelmente com a intenção de destruir provas", disse um assessor de imprensa da polícia.

Além de realizar a lavagem de dinheiro por meio de empresas espanholas, a polícia acusa os indiciados de patrocinar pequenos eventos esportivos e festas populares. Lutas de boxe, torneios de futebol na cidade de Ourense (próxima a Lugo) e as festas de São Froilán, padroeiro de Lugo, foram supostamente financiados pelos donos dos prostíbulos.

Cárcere privado. A quadrilha aliciava mulheres de diversos Estados brasileiros para trabalhar nos prostíbulos das cidades de Outeiro do Rei e Ribadeo, na província de Lugo. De acordo com declarações das prostitutas, elas estavam sob cárcere privado, sofriam ameaças de agressões físicas e recebiam falsas promessas de regularização de seus documentos na Espanha.

Os detidos estão acusados de delitos contra os direitos dos trabalhadores, contra os direitos dos cidadãos estrangeiros, indução à prostituição, tráfico de drogas, formação de quadrilha, porte ilegal de armas, agressão sexual, revelação de segredos de Estado e falsificação de documentos, entre outros. Policiais e militares estariam também desrespeitando os estatutos internos de conduta e poderiam ser julgados por um tribunal especial.

A Operação Carioca ainda não foi concluída. Segundo a polícia, pelo menos um suspeito, cujo cargo e patente não foram divulgados, continua sendo procurado.

 

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