Espanhóis são barrados no Aeroporto Internacional de Salvador

PF afirma que oito turistas não estavam com documentação em ordem e não declararam o dinheiro que traziam

07 de março de 2008 | 01h34

Um grupo de oito espanhóis foi mandado de volta para seu país de origem, nesta noite de quinta-feira, 6, quando tentava desembarcar no Brasil pelo Aeroporto Internacional de Salvador (BA) Deputado Luís Eduardo Magalhães. Segundo o Jornal da Globo, a Polícia Federal informou que alguns dos turistas não estavam com a documentação em ordem e outros não declararam o dinheiro que traziam. O episódio acontece após a Espanha barrar a entrada de 30 brasileiros. Veja tambémSaiba como agir se for barrado em aeroporto Policiais espanhóis chamaram brasileiros de 'cachorros', diz mãeBrasil ameaça restringir entrada de espanhóis no PaísBrasil deve adotar medidas contra espanhóis?   Vinte brasileiros foram deportados nesta quinta-feira da Espanha, incluindo dois pesquisadores do Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro (Iuperj), que só queriam fazer uma conexão para Lisboa, para participar de um congresso da Associação Portuguesa de Ciência Política. Pedro Lima e Patrícia Rangel devem chegar nesta sexta-feira, 7, ao Rio. O Brasil ameaçou restringir a entrada de espanhóis no País, depois da imigração espanhola barrar a entrada de 30 brasileiros. Uma nota expedida pelo Itamaraty durante esta quinta-feira informou que o Ministério das Relações Exteriores estava examinando a adoção de medidas apropriadas, "tendo em conta, inclusive, o princípio da reciprocidade". O Ministério informa ainda no texto que o chanceler Celso Amorim, que participa de reunião do Grupo dos 8, na República Dominicana, tomou conhecimento de mais este incidente "com profundo desagrado". Há poucas semana, segundo o Itamaraty, Amorim teria manifestado ao chanceler espanhol a insatisfação do governo brasileiro com essas medidas restritivas. Ainda nesta quinta-feira, o secretário-geral das Relações Exteriores, embaixador Samuel Pinheiro Guimarães, convocou o Embaixador da Espanha em Brasília para manifestar "a inconformidade do governo brasileiro" com o novo episódio ocorrido em Madri. O embaixador Samuel Pinheiro disse ao colega espanhol que as medidas adotadas pelas autoridades imigratórias da Espanha "são incompatíveis com o bom nível do relacionamento entre os dois países". O embaixador do Brasil em Madri, José Viegas Filho, apresentou uma queixa na Chancelaria da Espanha. Viegas ouviu de um funcionário do gabinete do chanceler Miguel Ángel Moratinos que o Ministério de Relações Exteriores espanhol "está muito preocupado com o tema, e fazendo gestões internas para reduzir e impedir a repetição desses problemas". O controle de entrada fica a cargo da Delegacia de Imigração, subordinada ao Ministério do Interior. Os funcionários seguem critérios objetivos para a recusa da entrada de passageiros, como a exigência de que tenham pelo menos 58 euros para gastar por dia de estadia prevista ou a carta de um banco comprovando limite suficiente de cartão de crédito; passagem de ida e volta, comprovante de reserva de hotel ou, se vão ficar na casa de alguém, uma carta dos anfitriões seguindo um modelo definido pela Delegacia de Imigração. E há também critérios mais subjetivos. Por exemplo, se a bagagem é muito volumosa, e contém roupas de verão quando se está no inverno, já é motivo de desconfiança.  A maioria dos "inadmitidos" está na faixa etária entre 20 e 35 anos. Eles aguardam julgamento de seu caso por um juiz, assistidos por um advogado público. Se sua deportação é confirmada, têm de esperar que a mesma companhia na qual vieram tenha assento disponível no vôo de volta. Isso pode demorar dias. Eles ficam numa área isolada do aeroporto, com sala e quartos com beliches. Há brinquedos para as crianças, já que famílias inteiras também ficam retidas. Recebem água e sanduíches. Na sala, o consulado-geral do Brasil colocou um cartaz com um número de telefone, que eles podem chamar, comprando um cartão e usando um telefone público - já que seus celulares são apreendidos. Alguns ligam para o consulado, outros preferem falar apenas com suas famílias no Brasil. (Colaborou Lourival Sant'Anna, de O Estado de S.Paulo)

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