Especialista critica idas e vindas

Recuo mostra que governo se precipita, dizem analistas

Camilla Rigi, O Estadao de S.Paulo

10 de novembro de 2007 | 00h00

A decisão do ministro da Defesa, Nelson Jobim, em ampliar novamente a distância dos vôos que partem do Aeroporto de Congonhas foi recebida por especialista em aviação como demonstração de que o governo tem se precipitado ao anunciar medidas na área A expectativa é que outras decisões possam ser revistas com o passar do tempo. "Todas as medidas foram tomadas rapidamente para melhorar a segurança. Faltou uma visão conjunta do que se fazer com o setor", afirma o consultor da Bain & Company, André Castellini.As idas e vindas do ministro, segundo Castellini, demonstram uma falta de estudo das implicações que trariam as restrições nos vôos. "Congonhas é muito importante para o turismo de curto prazo, como viagens de final de semana e feriados pequenos. A proximidade do aeroporto neste caso é muito importante não só para quem vai para a Bahia, mas para todo o Nordeste", argumenta. Depois do acidente com o Airbus da TAM, em 17 de julho que deixou 199 mortos, o governo anunciou três propostas diferentes para Congonhas. A primeira decisão era limitar o número de horas de vôos , mas não não chegou a ser colocada em prática. A segunda foi realizar vôos com no máximo 1.000 km de distância e começou a valer em 1º de outubro. E a partir de agora a distância aumentou para 1.500 km para não prejudicar o turismo na Bahia. "São critérios absolutamente diferentes. Antes era para a segurança. Se agora é por causa do turismo porque não liberar os vôos para Natal, Fortaleza e outros destinos?", diz o consultor de aviação Paulo Bittencourt Sampaio.O consultor acredita que pouco a pouco Congonhas deve voltar a ser como era antes de outubro. "É uma queda de braço que será vencida pelas empresas", prevê. Apesar de Jobim ter dito que a ampliação da quilometragem será apenas até março, Sampaio aposta que a decisão permanecerá. "É o mesmo caso da CPMF, começou como provisória e agora não querem mais abrir mão dela", compara.

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