Especialista diz que PMs cumprem ordens

A morte do administrador Luiz Carlos Soares da Costa, na noite de anteontem, em ação da PM reforçou a tese dos críticos à política de segurança pública do governo de Sérgio Cabral. Sílvia Ramos, pesquisadora do Centro de Estudos de Segurança e Cidadania da Universidade Candido Mendes, acha que, enquanto os policiais tiverem a orientação de atirar primeiro e perguntar depois, o número de vítimas não vai parar de crescer. "Quando a polícia matou o menino João Roberto, alegando que tinha confundido o carro da mãe da criança com o de bandidos, o governador chamou os PMs de débeis mentais, e o secretário de Segurança disse que foi uma ação desastrada. Com mais esta morte, agora, está provado que os policiais agem de acordo com a orientação do governo. Eles cumprem ordens."Para Sílvia, a ação que matou Costa mostra uma série de erros dos policiais. "Como pode um garoto de 18 anos, dirigindo e atirando ao mesmo tempo, não ter outro jeito de ser contido por quatro PMs? Como pode esses policiais acharem que não há outra alternativa que não seja descarregarem os fuzis em cima do carro?" Para Antônio Carlos Costa, da ONG Rio de Paz, "a PM está mais empenhada em matar bandido do que em defender as pessoas". Ana Paula Miranda, antropóloga demitida em fevereiro pelo secretário José Mariano Beltrame da coordenação do Instituto de Segurança Pública, também responsabiliza o governo. "A sociedade só vai culpar esses quatro policiais que participaram da ação. Isso é errado. O comando da polícia autoriza os policiais a matarem. O secretário Beltrame já chegou a justificar mortes em ações da polícia nas favelas dizendo que é impossível fazer um omelete sem quebrar os ovos. Quebrar, no mundo do crime, significa matar. Antes, a polícia quebrava os ovos na favela. Agora, está quebrando no asfalto." O presidente da OAB-RJ, Wadih Nemer Damous Filho, afirma que tais episódios mostram que a polícia tem uma lógica macabra, de confronto, o que deixa o carioca numa situação surrealista. "Hoje, quando é vítima de um seqüestro relâmpago, por exemplo, o carioca torce para a polícia não aparecer. É melhor contar com a sorte, com sua capacidade de lidar com a situação do que correr o risco de morrer numa ação da polícia. Isso é o cúmulo da falência do sistema."

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