Especialista diz que PT sai menos paulista desta eleição

O PT sai menos paulista das urnas, na avaliação do cientista político Christopher Garman. "O perfil do PT mudou", disse em entrevista ao Broadcast Ao Vivo. O candidato José Serra (PSDB-SP) ganhou a disputa para governador em 1º turno. Além disso, dos 100 candidatos a deputado no Estado de São Paulo, 44 são do PSDB ou do PFL, enquanto 21 são do PT, um a menos do que a bancada atual do partido. Por outro lado, ele observou que a bancada de esquerda aumentou na Câmara e que os partidos "mensaleiros", aqueles envolvidos com escândalo do Mensalão ou outras denúncias, sofreram derrota nas urnas. O PMDB, por sua vez, surpreendeu negativamente com os candidatos a governador, segundo Garman, mas conquistou a maior bancada na Câmara Federal, com 89 parlamentares, contra 83 do PT. Mas o partido não deve ser um obstáculo para o próximo governo, seja o presidente eleito Lula ou Alckmin. "O PMDB tende a dar apoio ao governo de ambos", disse.Sem avanços Se por um lado Garman não espera grandes dificuldades de governabilidade nem para Lula nem para Alckmin, ele também não acredita em muitos avanços. "Acho que não se deve esperar por grandes reformas", disse. Sobre a definição do segundo turno para presidente, o cientista político observou ainda que Lula perdeu na região Sul mais por questões econômicas do que éticas. "No Sul, o PT sofreu com a crise na agricultura", disse.Analista externoO estrategista para mercados emergentes do ABN AMRO Asset Management, Maarten-Jan Bakkum, disse que o presidente Lula ainda é o favorito para vencer a eleição, mas as chances do candidato do PSDB, Geraldo Alckmin aumentaram, e são agora de 30%.Segundo o analista, o PT teve uma performance fraca na eleição para o Congresso. "Isso significa que num possível segundo mandato, o apoio a Lula no Senado será menor que no primeiro", disse. "Se Alckmin vencer, ele terá mais apoio para aprovar seu programa de reformas."Bakkum disse que "uma vitória muito marginal de Lula no segundo turno com uma estreita base no Congresso" seria o cenário mais negativo. "A agenda de reformas de Lula já é sucinta", disse. "Com uma base de apoio apenas marginal, tanto no eleitorado como no Congresso, a chance de reformas importantes serem implementadas nos próximos anos seria muito pequena."O analista acredita que as próximas pesquisas eleitorais deverão apresentar uma disputa ainda mais acirrada. "O mercado poderá se beneficiar do aumento das chances de vitória de Alckmin", disse. "Um segundo mandato para Lula com uma agenda de reformas modesta já foi precificado."

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