Adriano Machado/Reuters
Adriano Machado/Reuters

Especialista explica modelos de descomissionamento de barragens

A drenagem, o armazenamento e o reúso de rejeitos de minério estão entre os procedimentos que podem ser adotados na desativação das dez barragens da Vale

Priscila Mengue, O Estado de S.Paulo

31 de janeiro de 2019 | 12h23

SÃO PAULO - A drenagem, o armazenamento e o reúso de rejeitos de minério estão entre os procedimentos que podem ser adotados no descomissionamento de dez barragens da Vale, anunciado após o rompimento da barragem de Brumadinho na sexta-feira, 25. A destinação final do material ainda não foi esclarecida, mas o prazo previsto para a conclusão do processo é de três anos. 

Professor da Universidade Federal de Viçosa (UFV), Eduardo Marques acredita que a Vale deve adotar diversos métodos na recuperação das áreas e na destinação dos rejeitos das barragens descontinuadas. Em todas as alternativas, o material precisa passar por um processo de drenagem, a fim de reduzir o potencial de novos incidentes.

Um dos métodos é a retirada do rejeito por caminhões, que o levam até uma usina de beneficiamento. No local, o minério é separado e o material restante passa por um processo de drenagem. O resíduo forma, então, uma “pilha”, que precisa ser acondicionada em local seco e ao abrigo da chuva. 

“Em Minas Gerais, o período de chuva vai de novembro a março. O volume de pilha é muito grande e fica difícil encontrar um local para ser armazenado”, explica Marques. Já a água pode ser descartada, após passar por um processo de filtragem. 

Outra alternativa é drenar o rejeito, deixando o resíduo restante no local da barragem. Sobre o espaço, é aplicada uma camada, enquanto, na superfície, é possível fazer a recuperação vegetal. Nesse caso, é necessário monitorar a área, especialmente em relação à erosão.

Também é possível aproveitar o rejeito para a fabricação de materiais de construção, como tijolos e bloquetes. “Tem viabilidade, o problema é que o volume seria muito grande.”

Segundo a Vale, as barragens que serão descomissionadas estão inativas e foram construídas pelo método de alteamento a montante, o mesmo das que romperam em Mariana e Brumadinho. A empresa estima custo de R$ 5 bilhões. “Todas as barragens da Vale apresentam laudos de estabilidade emitidos por empresas externas”, diz em nota. “As operações nas unidades paralisadas serão retomadas à medida que forem concluídos os descomissionamentos.”

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