Especialista pede mais PMs no trânsito

Os 1.375 policiais destacados pela Polícia Militar para o Programa de Policiamento de Trânsito ainda não são suficientes para fiscalizar o trânsito de São Paulo. Essa é a opinião do presidente da Associação das Vítimas de Trânsito (Avitran), Salomão Rabinovitch, que também é diretor do Centro de Psicologia Aplicada ao Trânsito (Cepat). ''''Era preciso pelo menos 4 mil mil homens'''', avalia Rabinovitch. De fato, houve uma redução do número de policiais militares fiscalizando o trânsito da capital. Em fevereiro de 2002, havia 2,8 mil policiais no antigo Comando de Policiamento de Trânsito (CPTran), extinto pelo governo Geraldo Alckmin. ''''Já era um número insuficiente na época'''', diz Rabinovitch. Com os atuais 1.375 policiais, há uma média de 1 policial para cada 3,4 mil veículos em São Paulo. O atual programa elegeu os 156 pontos mais críticos levando em consideração três quesitos: criminalidade, acidentes e fluidez de trânsito, com base em dados da Secretaria de Segurança e da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET). No total, são 1.011 locais. O primeiro dia oficial de funcionamento - o programa já vinha sendo testado experimentalmente - foi considerado tranqüilo pelo tenente-coronel Emílio Panhoza, comandante do 34º Batalhão. ''''Não teve problema nenhum.'''' Mas a polícia não divulgou dados sobre multas. MARRONZINHO O motorista José Crema, 49 anos, entrou esbaforido na banca de jornais, reclamando com quem estava perto: ''''Meu Deus, estamos ferrados. Eles multam mais que marronzinho!'''' E ele não foi o único paulistano a fazer esse comentário ontem, durante o primeiro dia do Programa de Policiamento de Trânsito na Capital. Alguns foram pegos de surpresa e outros, já intimidados com a presença dos policiais - com bloquinho e caneta na mão - tentaram se disciplinar e seguir as leis de trânsito. Na frente da banca de jornal, no cruzamento da Avenida Giovani Gronchi com a Rua José Galante, no Morumbi, zona sul, havia uma viatura da PM. Só naquele ponto, os policiais fizeram 30 autuações entre 7 e 10 horas. ''''Pegamos gente no celular e tentando fazer conversões proibidas'''', disse um PM. O programa tem o objetivo de conter infrações de trânsito e inibir a criminalidade. Nos 156 cruzamentos prioritários, o policiamento é contínuo das 7 às 10 horas e das 16 às 19 horas. Entre 10 e 16 horas, as viaturas se revezam nos outros pontos. Moradores e comerciantes dessas regiões já perceberam a diferença. ''''Aqui tem muito acidente e furto. Enquanto os policiais ficaram no cruzamento, não vi nenhum'''', disse o vendedor da banca da Rua José Galante, Anderson da Silva, 20 anos. ''''Não sei como vai ficar quando os policiais saírem daqui.''''

Jones Rossi, Marcela Spinosa e Naiana Oscar, O Estadao de S.Paulo

27 Setembro 2007 | 00h00

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