Especialista vê relação com Carta de 1988

O cientista político Leôncio Martins Rodrigues, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), atribui a proliferação de novos sindicatos ao texto da Constituição de 1988. Ele afirma que a Carta retirou do Estado o poder de controlar as entidades sindicais, enquanto garante o financiamento público e o direito de representante exclusivo do trabalhador. "Em 88, o que foi feito foi eliminar todos os aspectos que eram ruins aos trabalhadores e aumentar os que eram favoráveis", diz.

Lucas de Abreu Maia, O Estado de S.Paulo

24 de maio de 2010 | 00h00

Martins Rodrigues explica que a Constituição aboliu o controle dos sindicatos pelo Ministério do Trabalho, cabendo a ele agora apenas aprovar a criação de novas entidades. "Do ponto de vista dos dirigentes de sindicatos, foi uma maravilha", afirma. "Foi um tal de criar sindicato de tudo o que é jeito." Para o cientista, a Carta é contraditória, ao garantir a liberdade sindical, mas, simultaneamente, permitir a formação de apenas uma entidade por categoria: "Ela se contradiz. É uma tapeação."

Ele se diz favorável ao fim da contribuição sindical compulsória, mas acrescenta que "isso não vai mudar nunca". Para ele o modelo brasileiro é "completamente legalista" ? em oposição ao formato adotado em países como Estados Unidos e Inglaterra, em que cabe ao trabalhador criar os próprios sindicatos.

Para o economista Cláudio Dedecca, também da Unicamp, o problema é que o financiamento não está vinculado ao desempenho das entidades. "Se forçássemos os sindicatos a ter bom desempenho, vários sindicatos de fachada sumiriam, o que facilitaria a fiscalização", diz. Segundo ele, o governo deveria incentivar a negociação coletiva entre trabalhadores e empregadores e repassar os recursos conforme o desempenho de cada entidade, além de dificultar a criação de novos sindicatos: "Quanto mais proliferar, mais difícil será."

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