Especialistas aprovam novas obras

Sem essas intervenções, em pouco tempo o Aeroporto de Cumbica, em Guarulhos, será sufocado pela demanda

Bruno Tavares e Diego Zanchetta, O Estadao de S.Paulo

14 de setembro de 2008 | 00h00

A ampliação do Aeroporto Internacional de Cumbica, em Guarulhos, e os investimentos na rede de transporte prevista para o entorno são considerados vitais por especialistas em infra-estrutura aeroportuária ouvidos pelo Estado. Sem essas intervenções, dizem os experts, em pouco tempo o aeroporto de Guarulhos será sufocado pela demanda.Até 2006, quando pouco mais de 15 milhões de pessoas passaram pelo aeroporto, pouco se ouvia falar sobre superlotação dos saguões, falta de terminais de check-in e vagas nos estacionamentos. Mas a crise aérea e a migração de quase 30% das operações de Congonhas para Cumbica - decisão tomada sob o impacto do acidente com o Airbus da TAM, que deixou 199 mortos em julho do ano passado - fizeram o terminal chegar ao seu limite. Em 2007, mais de 18 milhões de passageiros pousaram ou decolaram de Guarulhos.Embora reconheça que o aeroporto opere hoje no limiar de sua capacidade, o superintendente de Cumbica, João Márcio Jordão, faz algumas ponderações. "Essa marca de 18 milhões é a anual. Isso não quer dizer que o aeroporto tenha funcionado o tempo todo acima do projetado." O executivo da Infraero também afirma que Cumbica segue todos os padrões internacionais de utilização das salas de embarque.Os especialistas discordam. "Da forma como funciona hoje, o aeroporto é mal explorado. Basta olhar a disposição das esteiras de bagagem", diz o engenheiro Jorge Leal Medeiros, professor do Departamento de Transportes da Escola Politécnica (Poli) da Universidade de São Paulo (USP) e ex-chefe de gabinete da presidência da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).Medeiros, contudo, diz ser favorável à construção do terceiro terminal de passageiros. "As duas pistas não chegaram ao limite, mas os terminais sim. Por isso, há margem para outro." O professor de Transporte Aéreo da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Respício do Espírito Santo Filho também vê necessidade de se ampliar o aeroporto. "As obras são essenciais, mas também é preciso aperfeiçoar o check-in e remodelar o layout dos terminais", sugere.Quando o terceiro terminal estiver pronto, dentro de cinco anos, Cumbica terá capacidade de absorver 29 milhões passageiros por ano - o que permitirá sua entrada no ranking dos 40 aeroportos mais movimentados do mundo, conforme dados do Conselho Internacional de Aeroportos.A idéia é que o novo terminal acomode exclusivamente os vôos internacionais, além dos órgãos públicos que atuam dentro do aeroporto, como as Polícias Civil e Federal, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e a Receita Federal. Os dois prédios existentes receberiam apenas as operações domésticas - hoje, a proporção entre vôos internacionais e domésticos em Cumbica é de 50%, variando de acordo com o câmbio e o aquecimento da economia.A futura estrutura terá 192 balcões de check-in e 22 pontes de embarque. As obras previstas incluem ainda a construção de um pátio que comportará 33 aeronaves e um edifício-garagem para 4,6 mil veículos.

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