Especialistas criticam ampliação de pistas

Eles apontam perda de áreas permeáveis como causa de transbordamentos

BRUNO TAVARES e DIEGO ZANCHETTA, O Estadao de S.Paulo

09 de setembro de 2009 | 00h00

Para especialistas, a perda de áreas permeáveis que podem absorver água e diminuir a vazão das chuvas em direção aos mananciais é a principal causa dos transbordamentos do Rio Tietê e de afluentes como o Aricanduva e o Tamanduateí. As obras de ampliação da Marginal do Tietê vão resultar numa "perda líquida" de 18,9 hectares de área impermeável, o equivalente a 19 campos de futebol iguais ao do Morumbi. A previsão do Conselho Municipal do Meio Ambiente e do Desenvolvimento Sustentável (Cades) consta no parecer da obra elaborado pelo órgão.

"A massa asfáltica em São Paulo só aumenta na Marginal e com isso o impacto da vazão das águas das chuvas sobre o Tietê se torna maior. A água chega mais rápido e com maiores velocidade e volume", afirma Carlos Bocuhy, do Conselho Estadual do Meio Ambiente (Consema) e presidente do Instituto Brasileiro de Proteção Ambiental (Proam). A perda de partes permeáveis durante a obra é questionada também em ação civil pública movida pelo Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB), que conseguiu assinaturas de 450 arquitetos contrários à ampliação das pistas.

"O projeto desconsidera o investimento feito para a recuperação dos taludes do Tietê por meio de um projeto paisagístico que incluiu o plantio de árvores. Esses lugares agora vão virar novas pistas de rolamento. É um erro histórico sem tamanho. Dentro de cinco anos o rio vai começar a transbordar como ocorria antes do rebaixamento da calha", afirma o urbanista Vasco de Mello, integrante do IAB e do Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio de São Paulo (Conpresp).

O documento de aprovação da obra na Marginal indica uma perda total de 28,8 hectares de áreas permeáveis e um ganho de 9,9 hectares decorrentes de ajustes prometidos pelo governo do Estado. Os canteiros centrais que separam as pistas expressas e locais e que estão sendo suprimidos com as obras de ampliação, inclusive com a retirada de árvores, são as áreas permeáveis que vão desaparecer, segundo o Cades.

A chuva de ontem alagou as valas escavadas na Marginal. Apesar disso, a Dersa afirma que não houve prejuízo dos equipamentos e trabalhos. A empresa diz que o alagamento das áreas escavadas e a paralisação em alguns dias devido às chuvas eram previstos no cronograma. A conclusão está programada para outubro de 2010.

O governo promete realizar medidas mitigatórias, como criar novas áreas permeáveis nas calçadas das pistas locais. Também se compromete a apoiar o Programa Várzeas do Tietê, cuja meta é preservar as regiões de várzea do rio, onde parte do volume das águas das chuvas é retido, ajudando a diminuir a vazão que corre em direção ao manancial.

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