Especialistas pedem adoção de seguro agrícola

Mas há divergência entre consultores de agronegócio sobre os efeitos da quebra de patente de defensivos agrícolas e também sobre o desmatamento

, O Estado de S.Paulo

01 de agosto de 2010 | 00h00

Há consenso entre especialistas de que o agronegócio precisa de um sistema de seguros para evitar a excessiva variação na lucratividade. "Isso é absolutamente fundamental", afirma José Vicente Ferraz, consultor da AgraFNP.

Ferraz ressalta que a iniciativa só pode ser financiada pelo Tesouro Nacional: "Não é pouco dinheiro envolvido." Ele diz que esse incentivo não é considerado subsídio pela Organização Mundial do Comércio (OMC).

Ferraz declara ser favorável à sugestão de José Serra de quebrar a patente de defensivos agrícolas. Ele admite ser tema de difícil abordagem, mas argumenta que os preços pagos pelos agricultores tornam o produto nacional menos competitivo. "Os Estados Unidos, por exemplo, poderiam adotar sanções contra o Brasil, mas do ponto de vista da produção seria muito bom."

Paulo Molinari, consultor da Safras & Mercado, discorda: "Não vejo com bons olhos. Poderia prejudicar mais que ajudar." Para ele, a quebra de patentes poderia levar a uma queda nos investimentos externos.

Desmatamento zero. Ferraz critica a proposta de Marina Silva de impedir a expansão da fronteira agrícola. "Se a candidata soubesse fazer conta, veria que isso é inviável." Ele defende desmatamento de todas as regiões aptas para a agropecuária. "O Brasil tem área potencial imensa que precisa ser explorada".

Já Molinari apoia a criação de áreas de preservação, mas diz que a legislação ambiental precisa ser flexibilizada. "Concordo que há espaço para o aumento da produtividade em áreas mal plantadas. Mas precisamos de uma legislação mais clara, economicamente viável", opina.

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