Espécies de todo o mundo colorem São Paulo

Até motoristas distraídos que passam pela Marginal do Pinheiros, em São Paulo, viram o festival de cores do maior jardim da cidade, conseqüência da implementação do Projeto Pomar, proposta pelo "Jornal da Tarde", em parceria com a Secretaria do Meio Ambiente do Estado e iniciativa privada. Várias flores e plantas florescem entre Pinheiros e Santo Amaro. São espécies africanas, asiáticas, européias e das Américas. "O objetivo é misturar plantas de vários continentes e ter áreas floridas todo o ano", afirma o arquiteto e paisagista responsável, Arnaldo Rentes. Ele aproveitou as características das plantas para as intercalar nos canteiros. Em alguns locais, as floradas ocorrem na primavera e no verão. Em outros, as espécies desabrocham no outono e inverno. O arquiteto deixa claro que não inventou nada. "Trabalhei com espécies comuns nos jardins da cidade, introduzidas há décadas. Resgatei uma herança de jardinagem das nossas avós, que se perdeu por causa da mudança urbanística da cidade." Ele optou por devolver espécies nativas às margens do Rio Pinheiros, principalmente da mata atlântica. "Os canteiros terão de desenvolver um ecossistema que permita a volta de fauna silvestre no local", explica. A equação é simples: as flores atraem as abelhas, responsáveis pela polinização das plantas. Isso aumenta a vegetação e, conseqüentemente, a quantidade de alimentos. O número de aves também cresce. Esse aumento de vegetação oferece alimentação para mamíferos como a capivara. "Grande parte dos canteiros recebeu forragem de grama amendoim, muito apreciada pelo animal", diz Rentes. Espécies - Um dos trechos mais floridos do jardim fica entre as Pontes Cidade Universitária e Transamérica, com canteiros que alternam flores amarelas, vermelhas e roxas, entre outras. Quem passar pela primeira ponte verá uma grande quantidade de flores amarelas. Apesar da cor, a planta brasileira tem o nome de maria-preta. Metros depois, está a espirradeira, arbusto alto de flores brancas, que decorava jardins persas há 2 mil anos. Entre a Cidade Universitária e as Pontes Eusébio Matoso e Bernardo Goldfarb, o motorista observa, no alto, flores amarelas do ipê-anão. No nível do chão, a florada amarela é de grama-amendoim. As flores roxas escuras do arbusto cana-de-macaco quebra a tonalidade. Adiante, o motorista encontra o lírio amarelo, vindo da Ásia e resistente a temperaturas baixas. A África é representada por flores roxas e brancas do arbusto bela-emília. No percurso até a Ponte Cidade Jardim, há o biri, com flores vermelhas e amarelas em forma de cálice, típicas da América tropical. O espaço é dividido com o pau-formiga, da Amazônia, flores que parecem espinhos vermelhos, e a alamanda, do sertão baiano, com flores miúdas e brancas. Quem seguir até a Ponte João Dias verá a orelha-de-onça, ostentando flores roxas e miúdas. "O nome foi dado porque a flor é peludinha, igual a uma orelha de onça´´, explicou Rentes. O jardim abriga primaveras, com floradas de tons vermelhos, rosas e branco e as quaresmeiras, com flores das mesmas cores. Quase chegando a sede do Projeto Pomar, existe uma ponte de madeira, mantida por uma questão sentimental. A estrutura é chamada de "passarela do Mário Covas" e serviu de passagem para o governador, numa das últimas atividades administrativas dele, ao visitar o Projeto Pomar. No local, estão plantados pés de urucum, primaveras e um pé de pau-brasil.

Agencia Estado,

07 de abril de 2002 | 23h53

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