Espera por tratamento pode ser de 8 meses

Fumante que quer largar o vício também enfrenta desinformação

Vitor Sorano, JORNAL DA TARDE, O Estadao de S.Paulo

07 Agosto 2009 | 00h00

O fumante que procurar serviços públicos para abandonar o vício na capital paulista encontrará filas de espera de até oito meses e desinformação. São 6 milhões de fumantes no Estado, dos quais 2,3 milhões estão na capital. Ontem, no Centro de Referência de Álcool, Tabagismo e Outras Drogas (Cratod), a espera para iniciar o tratamento variava de seis a oito meses, segundo a atendente. "Se você tiver condições de comprar o medicamento, é melhor que esperar", disse.A reportagem entrou em contato com o centro, indagando sobre locais de atendimento nas cinco regiões da cidade, a maioria unidades da rede municipal. Às vésperas do início da proibição, foram visitados oito desses locais. Dois dos contatos fornecidos são de espaços onde o atendimento é apenas para quem já é paciente. Um deles é o Instituto do Coração, do Hospital das Clínicas, indicado pelo Cratod para quem mora na região central. "Procura o HC, que lá eles têm", informou um funcionário. Já no Hospital das Clínicas, a orientação é deixar o nome, o endereço com CEP e o telefone e aguardar até dezembro. Mais tarde, o HC informou que esse serviço não é focado em antitabagismo, mas um programa de promoção de vida mais saudável. O Hospital Municipal Mário Degni, segundo o Cratod, é onde fumantes da zona oeste devem ir. "Aqui a gente não atende. É para o público interno. E mesmo assim não está aberto", disse uma funcionária. "Se você quiser, te dou alguns telefones." Outro dos contatos era de um Centro de Apoio Psicossocial Álcool e Drogas, em Perdizes, também na zona oeste. "Para tabagismo ainda não está tendo (atendimento), pois a Prefeitura não liberou o remédio", disse uma atendente. Segundo ela, o local ainda vai inaugurar o tratamento para fumantes.Os Caps-AD são unidades de referência da rede municipal de saúde para tratamento de vícios, incluindo tabagismo. No fluxo normal da rede, eles recebem fumantes por encaminhamento, que devem procurar um posto de saúde. À reportagem, o Cratod indicou Caps de quatro regiões da cidade. No da Penha (zona leste), a espera informada é de 150 dias. "Tem uma procura muito grande." Na zona sul, a unidade da Saúde (Caps Vila Mariana) foi uma das opções oferecidas. A fila é de seis meses. "As pessoas estão procurando mais por causa da pressão da lei, mas tiraram um médico nosso. Fazíamos dois grupos simultâneos", diz uma atendente. UNIVERSITÁRIOApontado como terceira opção para residentes na zona oeste, só o Hospital Universitário da USP tem atendimento ágil. A reportagem foi orientada a voltar em uma semana para ser incluída em um grupo que se iniciará em setembro. O serviço, porém, não é inteiramente gratuito. O participante não paga pelo atendimento feito na universidade - que inclui terapia comportamental e cognitiva, segundo uma funcionária -, mas pelos medicamentos que eventualmente sejam necessários. FILAS Cratod: Há fila de espera de 6 a 8 meses HC: Grupos de palestra só em dezembro Incor: Local dá tratamento apenas para quem é paciente Caps Prosam (oeste): Ainda não oferece tratamento. Interessados devem voltar em duas semanas Hospital Mário Degni (oeste): Tratamento é oferecido para público interno Hospital Universitário (oeste): Tratamento começa no início de setembro Caps Penha (leste): Fila de espera tem cerca de 150 dias Caps Vila Mariana: Espera em torno de seis meses

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