Espetáculo tenta reativar Pelourinho

Salvador quer atrair visitantes com show de som e luzes sobre o negro

Tiago Décimo, O Estadao de S.Paulo

10 de janeiro de 2009 | 00h00

Estava prevista para ontem a estreia, no Pelourinho, em Salvador (BA), do espetáculo Terreiro d?Yesu - Som e Luz. A peça, na qual alguns dos mais importantes monumentos históricos da capital baiana viram personagens, é gratuita e segue até 12 de fevereiro, no Terreiro de Jesus. Serão duas apresentações diárias, às 19 horas e às 21 horas. A encenação dura 25 minutos e conta com as vozes dos atores Lázaro Ramos e Jackson Costa e da cantora Margareth Menezes, entre outros, sob a direção de Fernando Guerreiro. Em pauta, a discussão da evolução do papel do negro na sociedade. "É como se todo o espaço falasse", diz Guerreiro. "Esta montagem é diferente dos espetáculos de som e luz que existem por não ser apenas uma narração histórica, mas envolver dramaturgia, com uma trama de cunho sociopolítico.""Os monumentos são retratados como titãs que oprimem o ser humano, que é o Nego da Carrinha, personagem do Lázaro", explica Costa. "A peça acaba passando a mensagem de que a consciência do negro de seu papel pode derrubar construções inteiras." Para o governo do Estado, o espetáculo é uma prévia do novo sistema de iluminação da área, projetado pela Secretaria de Cultura, que tem inauguração prevista para julho, e uma forma de tentar dar novo impulso à vida noturna do Pelourinho. O local vinha sendo deixado de lado por turistas e habitantes pela sensação de insegurança, causada pela presença de pedintes, venda de drogas nos becos próximos ao centro histórico e falta de policiamento ostensivo. Proprietários de bares e restaurantes da área chegaram a relatar queda de metade do faturamento antes da temporada de fim de ano - que tem sido boa na cidade, com crescimento de 12% na ocupação dos hotéis, na comparação com o ano passado, segundo a Bahiatursa. Entre os monumentos que poderão ser conferidos com os novos efeitos de luz estão a Catedral Basílica, a Faculdade de Medicina e as Igrejas de São Domingos e de São Pedro dos Clérigos. No ensaio aberto, realizado na quarta-feira, a plateia aprovou o resultado. O diretor do projeto, Felipe Xavier, diz que o melhor ponto para acompanhar a encenação é de frente para a Faculdade de Medicina.

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