Espírito Santo pode terminar o ano sem policiamento

O Espírito Santo pode terminar o ano sem policiamento nas ruas e sem o trabalho da Polícia Civil. Os policiais militares ameaçamum novo aquartelamento e a Polícia Civil decidiu, nesta quinta-feira,pela greve por tempo indeterminado. Em assembléia, realizada nesta quinta-feira, os policiais decidiram não trabalhar enquanto o Governo Estadual não pagar o salário do mês de novembro e as parcelas restantes do contigenciamento dos salários. Os policiais militares vão se reunir nesta sexta-feira, às 16 horas, com o governador José Ignácio Ferreira (sem partido) para tentarem um acordo sobre o pagamento do mês de novembro. Caso nãoocorra entendimento, a tendência é a categoria realizar mais umaquartelamento a partir de 7 horas desta sexta-feira. Na Polícia Civil serão mantidos 30% dos serviços, segundo o presidente do Sindicato dos Policiais Civis (Sindipol), José Rodrigues Camargo. Só serão atendidos flagrantes e recolhimento de corpos. No entanto, cessam as investigações sobre todos os tipos de crime, os serviços de vistorias e o registro de ocorrências. "Precisamos receber nossos salários, não estamos pedindo nada. O que reivindicamos são nossos direitos", declarou Camargo.Na segunda-feira, a Polícia Civil do Espírito Santo paralisou asatividades por 24 horas. Eles retornaram ao trabalho no início da tarde de terça-feira, mas ameaçaram entrar em greve quando passasse o feriado do Natal, se o pagamento não estivesse na conta. Os policiais militares também se aquartelaram no início da semana. Para evitar os protestos, o governo divulgou, na última segunda-feira, o pagamento de três parcelas do contingenciamento dos salários, mas não cumpriu a promessa. Em vez de depositar três parcelas, depositou apenas uma, autorizando o Banco do Estado do Espírito Santo (Banestes) a cobrar juros do empréstimo rotativo. O resultado foi uma corrida de servidores aos bancos, e muita revolta por terem encontrado as contas vazias. Mais uma parcela foi depositada nesta quinta-feira para alguns servidores. Estas parcelas referem-se aos salários do último trimestre de 1998, que não foram pagos pela administração anterior, mais um empréstimo compulsório de 20%, contingenciado pela atual administração.O secretário da Fazenda, João Luiz Tovar, chegou a alegar "problemas técnicos" no Banestes para que o dinheiro não fosse creditado na conta do servidor. Nesta quinta-feira, o Governo divulgou nota afirmando a intenção de pagar o salário de novembro na segunda- feira. O governador José Ignácio Ferreira (sempartido) viajou para Brasília onde vai tentar, junto ao Ministério daFazenda, a liberação de recursos para o pagamento da folha.

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