Esporte tira as ONGs do programa social Segundo Tempo

Ministério diz que não vai renovar convênio com a Bola Pra Frente, a ONG da vereadora Karina Rodrigues, do PC do B

Rui Nogueira / Brasília, O Estado de S.Paulo

08 Outubro 2011 | 03h01

O Ministério do Esporte remontou o principal programa da pasta, o Segundo Tempo, e eliminou as organizações não governamentais (ONGs) dos convênios. A partir de agora, não há mais repasse de dinheiro público para ONGs e todos os convênios são assinados com os governos estaduais, prefeituras e universidades públicas.

O viés assistencialista, que consumia 40% das verbas com fornecimento de alimentação para as crianças que frequentam os núcleos esportivos, também foi eliminado - era uma sobreposição de tarefas, uma vez que já existe a merenda escolar para cuidar do estômago dos estudantes.

Segundo o ministério, também não será renovado o convênio com a ONG Bola Pra Frente, dirigida pela ex-jogadora de basquete Karina Rodrigues, filiada ao PC do B e vereadora na cidade de Jaguariúna (SP). A ONG mantém um contrato de R$ 13 milhões com o Ministério do Esporte, mas já recebeu, desde 2004, outros 15 milhões.

"O convênio vigente (dos R$ 13 milhões) termina no fim do ano, e não será renovado", disse ao Estado o secretário Nacional de Esporte, Educação, Lazer e Inclusão Social, Wadson Ribeiro. A ONG de Karina, que domina o atendimento no interior de São Paulo, cobrava uma taxa de R$ 15 das prefeituras para implantar o programa.

Uso eleitoreiro. As mudanças vieram no rastro de uma série de reportagens do Estado editada em fevereiro passado. Só em 2010, o ministério distribuiu pelo menos R$ 30 milhões a ONGs, muitas delas de dirigentes políticos, a começar por aliados do partido do ministro Orlando Silva, o PC do B.

Ao percorrer núcleos esportivos do DF, GO, PI, SP e SC, a reportagem flagrou convênios com entidades de fachada. Em vez de oferecer a prática esportiva a crianças e jovens carentes, o Estado encontrou espaços precários e uma rede de empresas fantasmas que forneciam notas frias para atestar a venda de alimentos para o Segundo Tempo.

Depois das reportagens, a presidente Dilma Rousseff exigiu mudanças no programa, a começar pelo uso político-eleitoral das ONGs. As organizações não governamentais recebiam adiantado parte do dinheiro dos convênios, mas, em muitos municípios, ou não montavam ou montavam de maneira precária os núcleos esportivos.

Nova gestão. Oficialmente, o secretário Wadson Ribeiro disse que houve uma "decisão do ministério para melhorar a gestão. Depois do período transitório e de implantação do Segundo Tempo, quando foram usadas as ONGs, agora decidiu-se por fazer convênios diretamente com Estados, municípios e prefeituras".

Com as mudanças, que começaram a ser implementadas já neste ano, ao incluir a infraestrutura da rede pública de educação no programa, o Segundo Tempo com o Mais Educação pula do atual 1,8 milhão de atendimentos para uma proposta de chegar ao final de 2012 com um total de 3,1 milhões de crianças e jovens atendidos. Os novos convênios acrescentaram mais duas categorias especiais de atendimento: prática esportiva em nível universitário (para 8.400 estudantes) e de pessoas con deficiências física (1.400 atendimentos).

Aproveitando uma infraestrutura existente, o ministério analisa ainda uma vertente do Segundo Tempo para prática de vela. Há 23 propostas em estudo.

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