''Esqueleto no armário'' causa incômodo a procurador-geral

A amigos, Roberto Gurgel confidencia que não quer deixar o cargo sem um desfecho para o caso[br]do mensalão do DEM

Leandro Colon e Vannildo Mendes, O Estado de S.Paulo

06 de fevereiro de 2011 | 00h00

A falta de um desfecho para a Operação Caixa de Pandora incomoda o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, que conclui seu mandato em julho e confidenciou a pessoas próximas que não gostaria de manter esse esqueleto no armário do Ministério Público. Ele está disposto a mais um mandato de dois anos, mas sua permanência no cargo ainda depende da presidente Dilma Rousseff.

Em entrevista ao Estado no início de novembro, a procuradora Raquel Dodge disse que o caso estava na reta final e prometeu oferecer denúncia contra os envolvidos em dezembro, o que não ocorreu. A celeridade é natural nesse caso por se tratar de um dos escândalos mais bem documentados.

No pedido de abertura do inquérito 650, feito em novembro de 2009, Raquel anexou cerca de 30 vídeos que revelam em detalhes como funcionava a máquina de arrecadação e distribuição de propina no governo do DF. O primeiro mostra José Roberto Arruda recebendo R$ 50 mil das mãos de Durval Barbosa.

Há fitas com acusados colocando dinheiro na cueca, nos bolsos, em pastas e bolsas. O ex-presidente da Câmara Distrital Leonardo Prudente aparece enfiando maços de dinheiro nas meias. O ex-corregedor da Casa, deputado Júnior Brunelli, que é pastor evangélico, aparece em outro vídeo recebendo dinheiro e fazendo a oração da propina junto com Durval e Prudente. A deputada Eurides Brito foi cassada depois do vídeo em que bota dinheiro na bolsa.

Peixe grande. Raquel não faz críticas diretas, mas alguns colegas com quem ela tem falado citam que a PF deixou de fora muitos peixes graúdos investigados desde o início da operação, em setembro de 2009. De um total de 38 investigados como membros do esquema, o delegado Alfredo Junqueira só aponta indícios criminais contra 14 - oito a menos do que a CPI da Corrupção, da Câmara Legislativa.

Enquanto o inquérito do STJ vive um impasse, avançou a investigação paralela em torno dos promotores Leonardo Bandarra e Deborah Guerner, acusados de ligação com o esquema. Eles já foram denunciados ao Tribunal Regional Federal pela Procuradoria Regional da República, órgão autorizado a investigar a conduta de integrantes do Ministério Público.

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