''Esqueletos'' de outdoors em exposição em SP

Lei Cidade Limpa inspirou fotos

Vitor Hugo Brandalise, O Estadao de S.Paulo

13 de novembro de 2008 | 00h00

Cada vez que cruzava a Avenida 23 de Maio, o artista plástico Tony de Marco se sentia no meio de um "corredor polonês publicitário". Com formação de tipógrafo, sentia culpa pelas placas e outdoors que o sufocavam. "Isso pelo tempo que contribuí com agências de propaganda." Ao saber da Lei Cidade Limpa, viu uma oportunidade de expiar os pecados - mas percebeu que ela se tornaria sua galinha dos ovos de ouro.Nos primeiros dias pós-Cidade Limpa, em abril de 2007, ele fotografou "esqueletos" de outdoors. A princípio, tirou cinco fotos. "Mostrei para um amigo e ele me aconselhou a colocar no Flickr (álbum de fotos virtual). Então o negócio explodiu." Nas duas semanas seguintes, tirou outras 55.Um ano e meio depois, as fotos já foram expostas no Design Museum de Londres e no Cassino Forum d?Art Contemporain, de Luxemburgo. Foram publicadas em revistas, jornais e calendários de 11 países. E, desde a semana passada, estão expostas em sua terra natal, na galeria Pop/Rojo (Rua Virgílio de Carvalho Pinto, 297, Pinheiros) até 6 de dezembro, na mostra São Paulo No Logo.Na mostra, a obra é dividida em quatro temas: fachadas descaracterizadas após a retirada dos outdoors; esqueletos contra o céu azul; letras retiradas, mas legíveis por causa da sujeira; e publicidades "gigantes". Há fotos de estruturas que muitos já viram, mas provavelmente não se deram conta. Um bingo, perto do Metrô Santa Cruz, que retirou as cinco estrelas da fachada, mas cujos contornos seguem lá. O muro de tijolos que circunda a estação da Eletropaulo na Rua Francisco Cruz, Vila Maria - antes tapado por um outdoor de 30 metros. E um outdoor na Radial Leste entre duas bananeiras - foto publicada em revistas de Inglaterra, Alemanha e Malásia - e uma placa oval na Rubem Berta, no canto esquerdo da foto, para ressaltar o céu. "Percebi que tive sucesso quando vi que foram publicadas em dois extremos: no calendário da Adbusters, ONG tida como contrária a qualquer tipo de publicidade, e na Advertising Age, a bíblia da propaganda norte-americana", conta o artista, cuja maior fonte de renda no ano passado veio das fotografias - e os pedidos continuam: vendeu fotos à National Geographic e à revista da Universidade de Oxford, na Inglaterra. Na exposição, suas fotos - ampliadas em três tamanhos, 40 x 30 cm, 50 x 37,5 cm, 50 x 50 cm - custam entre R$ 1,2 mil e R$ 2,5 mil.

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