Esquema de Lobão paga R$ 900 a 96 garimpeiros

Recursos são repassados pela Colossus, por meio de cooperativa de Serra Pelada, como 'ajuda social' aos moradores

, O Estado de S.Paulo

26 de julho de 2010 | 00h00

A estratégia do grupo do senador Edison Lobão (PMDB-MA) para se apossar do ouro de Serra Pelada inclui o pagamento de um benefício mensal no valor de R$ 900 para 96 pessoas que vivem na área da antiga mina.

O esquema, batizado de "mensalinho da Serra", é alimentado por recursos repassados pela empresa Colossus à Cooperativa Mineral dos Garimpeiros de Serra Pelada (Coomigasp).

A reportagem teve acesso a uma lista com nomes de beneficiários do mensalinho. Procurado para falar sobre o pagamento das mesadas, o diretor social da Coomigasp, Carlos Jovino, confirmou os repasses, que chamou de "contribuições".

"A empresa repassa o dinheiro como ajuda social", disse Jovino. "Esse dinheiro não é dinheiro garantido por contrato, a empresa que está dando uma ajuda mesmo."

Os beneficiários do esquema não prestam serviço à cooperativa. Eles só comparecem na Coomigasp uma vez por mês para receber a mesada.

Ex-diretor da entidade e um dos opositores do grupo de Lobão, o sindicalista Edinaldo Aguiar diz que o esquema de mesadas foi a forma encontrada pela empresa para conseguir calar os garimpeiros que costumavam ter um posicionamento crítico dentro da cooperativa.

Assistencialismo. A empresa canadense recorreu a velhas práticas assistencialistas e políticas para ganhar a confiança e a simpatia dos garimpeiros, trabalhadores reconhecidos pela postura independente e o temperamento arredio.

Além do "mensalinho", a Colossus realizou, até agora, três festas para distribuição de cestas básicas a famílias do povoado onde está a mina.

Além disso, para amainar a poeira do começo da tarde nas ruelas de Serra Pelada, paga uma empresa de caminhões-pipa para esguichar água sobre o chão batido.

O diretor da Colossus Darci Lindenmayer diz que a empresa é apenas uma "aliada" da prefeitura na distribuição de cestas básicas. Lindenmeyer afirma que a empresa já gastou R$ 800 mil em "ações sociais" na área do projeto. Ele diz, orgulhoso, que a ação social da Colossus vai muito além das cestas. A empresa, observa, reformou o hospital de Curionópolis, o posto de saúde e a Escola Maria Antônia Pimenta de Moura, em Serra Pelada.

Novo escritório. Quem anda pelo antigo garimpo, porém, tem outra impressão da chegada da empresa ao lugar. A Escola Municipal Novo Morumbi foi fechada pela prefeitura e repassada para a Colossus, que deverá aproveitar a estrutura para instalar um escritório.

Desde o declínio do garimpo de Serra Pelada, no final dos anos 1980, os moradores do povoado não têm alternativas de renda e emprego.

A exploração do ouro depende do processo de mecanização. Mesmo assim, ainda hoje, dezenas de garimpeiros tentam encontrar o metal na superfície, de forma manual. / L.N.

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