Fábio Motta/AE
Fábio Motta/AE

Esquema do jogo do bicho no Rio tinha até call center, diz Polícia Civil

Até em escolas de samba houve apreensões durante operação; ao menos 33 foram presos

Pedro Dantas, O Estado de S.Paulo

15 de dezembro de 2011 | 14h02

RIO - De acordo com delegados da Polícia Civil do Rio de Janeiro e promotores do Ministério Público (MP), o jogo do bicho conta com rede própria de call center e manipula resultados. "A empresa baiana Projeta, fabricante da máquina conhecida como 'bicho eletrônico', semelhante às máquinas de cartões de crédito e débito, não apenas produzia o aparelho, mas também fornecia o chip, a intranet e também o call center para tirar dúvidas dos operadores. Os contraventores compravam cada máquina por R$ 1.200,00", disse o delegado da Corregedoria Interna da Polícia Civil, Felipe do Vale.

A promotora de Justiça Ministério Público do Rio, Angélica Glioche, afirmou que há indícios de crime contra a economia popular com a manipulação de resultados.

 

 "O jogo do bicho não é inocente, movimenta dezenas de milhões de reais por mês e só se sustenta pela existência de crimes mais graves, como formação de quadrilha armada, lavagem de dinheiro, corrupção ativa e passiva, além de crime contra a economia popular com a manipulação de resultados", afirmou a promotora.

A polícia apreendeu R$ 517 mil na operação, sendo que R$ 115 mil foram encontrados no barracão da escola de samba Beija-Flor, na Cidade do Samba, na zona portuária da cidade.

 

Entre os denunciados estão Aniz Abraão David, o Anísio da Beija-Flor, Luiz Pacheco Drummond, o Luizinho Drummond, Hélio Ribeiro de Oliveira, o Helinho da Grande Rio, e Mario de Oliveira Tricano, ex-prefeito de Teresópolis.

Até o momento, 33 pessoas foram presas, entre elas os policiais militares Luiz Cláudio Laudino, lotado no 22º BPM (Maré); e Marco Antônio Coelho Anchieta, lotado no BPChoque. O policial civil Eduardo Murilo Dantas Sampaio, o Comissário Dudu, lotado na 64ª DP Vilar dos Teles, ainda está sendo procurado. O Guarda Municipal Aramis Lafere Mesquita, que estava cedido à 59ª Delegacia de Duque de Caxias, também foi preso.

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