Esquema em SP usava criptografia

E-mail das negociatas era canalhada@hotmail.com

Marcelo Godoy, O Estadao de S.Paulo

12 de março de 2009 | 00h00

A venda de cargos importantes da Polícia Civil era chamada de "dança das cadeiras" e os acusados de pagar propina em troca da nomeação se comunicavam com o ex-secretário adjunto da Segurança Pública Lauro Malheiros Neto por meio de um sistema de mensagens eletrônicas e do e-mail canalhada@hotmail.com. As mensagens eram criptografadas. Essas são algumas das novas revelações feitas pelo investigador Augusto Pena, pivô do maior escândalo de corrupção da atual gestão da Segurança Pública de São Paulo.O Estado teve acesso ao depoimento que o policial prestou anteontem à Corregedoria da Polícia Civil e aos promotores do Grupo de Atuação Especial e Combate ao Crime Organizado (Gaeco). Nele, Pena conta que o esquema de venda de sentenças de processos administrativos (PA) começou "em gestões anteriores" à de Ronaldo Marzagão na secretaria. Ele disse que outro investigador do Departamento de Investigações sobre o Crime Organizado (Deic), teria comprado a readmissão na polícia, e reafirmou que três policiais do Deic compraram por R$ 100 mil cada um a absolvição em um PA. Na atual gestão, segundo Pena, os chefes do esquema eram o secretário adjunto Lauro Malheiros Neto e seu sócio e primo Celso Augusto Valente - ambos negaram as acusações. Malheiros Neto deixou a secretaria em maio de 2008.Pena disse que se comunicava com Valente e com Malheiros Neto por meio de seu Nextel - ele forneceu o número do telefone. O adjunto usaria um aparelho da secretaria. O e-mail canalhada@hotmail.com era, segundo Pena, "outra forma de comunicação entre o doutor Lauro, o declarante e policiais, em especial delegados de polícia que ?fizeram a dança das cadeiras?, pagaram ao secretário adjunto valor para assumir cargos de diretorias, seccionais e titularidade de delegacias".Pena descreveu contou que se encontrou com Malheiros Neto "cinco ou seis vezes" no primeiro semestre de 2007. "Se não estiverem constando (na secretaria) tais visitas é porque elas foram deletadas." No computador da portaria da secretaria não havia registro. Foi no arquivo das fotos dos visitantes que foram achados três registros. Dois deles quando Pena já estava preso, em 11 de fevereiro de 2009 - Pena negou a visita.O policial afirmou que também se encontrou com Malheiros Neto em um café em frente ao prédio da secretaria. Disse ainda que foi ao gabinete com o delegado Fábio Pinheiro Lopes - Pena o acusa de comprar o cargo e de arrecadar dinheiro dos bingos. Ontem, Lopes e outros dois delegados depuseram sobre o caso na Corregedoria. Todos negaram as acusações.

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