Esquema funcionava havia 1 ano, diz delegado

O titular da 59ª Delegacia de Polícia, de Duque de Caxias, André Drummond, disse que o esquema que ligava os policiais militares do 15º Batalhão aos traficantes das Favelas de Parada Angélica e Santa Lúcia funcionava havia um ano. Divididos em guarnições, os policiais recebiam "arregos" (pagamentos semanais) de até R$ 3 mil, conforme os serviços que prestavam aos bandidos. "O trabalho de escuta foi muito delicado, porque eles se chamavam apenas pelos apelidos", disse Drummond. "A entrega do dinheiro era feita por menores de bicicleta, que diziam senhas para os policiais antes da entrega da propina." Além de não interferirem na venda de drogas, os policiais garantiam a segurança do tráfico de entorpecentes. "As escutas revelam que eles avisavam os traficantes sobre a presença nas imediações de qualquer equipe policial que não fizesse parte do grupo de corruptos", afirmou o delegado. Apesar da relação aparentemente harmônica entre policiais e bandidos, as escutas também mostram momentos de tensão. Isso ocorria quando os PMs prendiam traficantes e cobravam dos comparsas pela sua liberação. "As gravações revelam que a liberdade dos bandidos custava entre R$ 5 mil e R$ 8 mil. Eles prenderam e liberaram sob propina 18 pessoas - pelo menos 3 prisões foram injustas", afirmou. "Foi duro não intervir naquele momento, mas precisávamos esperar porque sabíamos que a investigação era mais ampla." A polícia não divulgou trechos das escutas, alegando segredo de Justiça.

O Estadao de S.Paulo

07 Setembro 2018 | 00h00

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