Esquema rendia R$ 1 milhão por mês em Foz do Iguaçu

Policiais corruptos e intermediários faturavam pelo menos R$ 1 milhão por mês com a cobrança de propinas para liberar ônibus com contrabando do Paraguai em Foz do Iguaçu, no PR, segundo o cálculo divulgado hoje pela Policia Federal. Cerca de mil ônibus de sacoleiros do Brasil cruzam por semana a Ponte da Amizade, que liga a cidade ao país vizinho.A "caixinha" por veículo abordado variava entre R$ 250,00 e R$ 500,00. O dinheiro era dividido entre os 40 policiais rodoviários federais, 14 intermediários que funcionavam como batedores e 1 policial civil envolvidos no esquema, segundo a PF. Os 55 suspeitos tiveram a prisão temporária decretada pela juíza federal Paula Weber Rosito. Desde o início da Operação Trânsito Livre, desencadeada terça-feira, a Polícia Federal prendeu 39 policiais rodoviários, 11 batedores e um policial civil. Outros quatro suspeitos, um policial e quatro batedores, estão sendo procurados. Nas casas dos acusados, foram apreendidos computadores, dinheiro - dólares e reais, e 15 veículos. Quatro delegados da PF começaram hoje a ouvir os rodoviários suspeitos. Eles estão detidos no 1º Grupamento do Corpo de Bombeiros, sob a vigilância dos próprios colegas de corporação, e podem ser vistos saindo livremente no pátio. A PF vai pedir a quebra dos sigilos bancário e fiscal dos principais envolvidos. "Alguns deles ostentam padrão de vida incompatível com o salário e indícios evidentes de enriquecimento ilícito", disse o assessor de comunicação social da PF em Foz do Iguaçu, Marcos Koren.Além de veículos que custam R$ 50 mil, como uma camioneta Dakota e uma van de luxo, foram apreendidas quantias que variam de R$ 2 mil a R$ 10,1 mil em dinheiro nas casas dos policiais. Numa delas havia US$ 2 mil. Em dois postos de policiamento foram apreendidos R$ 11 mil - a "féria" do dia. Os policiais ganham entre R$ 2,5 mil e R$ 3 mil por mês de salário bruto, mas teriam um rendimento "extra" de até R$ 20 mil, segundo a PF. "A lei garante aos acusados o direito de explicar a origem desses bens", disse Koren.Alguns veículos, segundo ele, estavam em nome de terceiros. O automóvel Pálio do policial civil tinha um adesivo da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e um sofisticado sistema de DVD. Com o exame do material apreendido, mais os depoimentos dos acusados, que serão mantidos em sigilo, a PF espera chegar a novos envolvidos. As investigações serão estendidas aos destinos dos ônibus, principalmente cidades de São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná e Minas Gerais, além de Vitória, Brasília, Porto Alegre e Goiânia. Por causa da operação, que mobilizou 200 agentes, a PF de Foz do Iguaçu não participa da greve que paralisa os funcionários em todo o País. A maior parte do efetivo havia retornado, hoje, para suas bases. "Mas a Polícia Federal é uma só em todo País e os agentes podem ser convocados a qualquer momento", disse Koren. O comando da Polícia Rodoviária Federal substituiu os policiais presos por patrulheiros de São Paulo, Mato Grosso do Sul e Goiás. No posto de Santa Terezinha de Itaipu, o mais visado, todos os agentes foram trocados.Depois da ação da PF, a Polícia Militar Estadual e a Receita Federal também intensificaram a fiscalização em Foz. Um ônibus de sacoleiros foi apreendido na noite de quarta-feira na frente de um hotel e levado para o pátio da Receita. Os bagageiros foram lacrados. Foram encontrados contrabandos de brinquedos, eletroeletrônicos e cigarros. Parte do material foi apreendida. Os 28 passageiros, de Curitiba, passaram a noite sob custódia, mas foram liberados.

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