"Esse grupo está sedento de corpos"

A máfia das funerárias causa prejuízo mensal de R$ 1,2 milhão aos cofres do Serviço Funerário da Prefeitura de São Paulo, valor equivalente a cerca de 30% da receita do órgão, de R$ 4 milhões.O cálculo é do superintendente do serviço, Osvaldin Barbosa de Freitas, que nesta segunda-feira afastou três funcionários suspeitos de envolvimento em irregularidades na venda de um caixão e flores.Ele ainda abriu duas sindicâncias internas para investigar os casos. Os nomes dos servidores não foram divulgados. De acordo com Freitas, a máfia compõe-se de funcionários do Serviço Funerário da capital e pessoas de funerárias particulares, que atuam até em outras cidades. "Esse grupo está sedento de corpos", disse."Quando assumi o cargo (em janeiro), tinha conhecimento das irregularidades e reabrimos oito processos. Há gente envolvida de dentro", salientou. De janeiro a abril, houve atendimento público de 15.297 sepultamentos. Dos três funcionários afastados nesta segunda-feira, dois estão envolvidos na venda de um caixão para uma família, que adquiriu do Município uma urna modelo standard por R$ 784,00 e, na hora do velório, recebeu um modelo classic.Com isso, os funcionários obrigaram a família a pagar uma diferença de R$ 220,00 pela troca de modelos. Sem acordo, o corpo velado teria de retornar para o Instituto Médico-Legal (IML) para que fosse feita a troca de caixão."Acredito que foi um erro operacional. O que nos preocupa é o funcionário forçar o munícipe a pagar a diferença", salientou o superintendente. "Nós não sabemos se houve má-fé." No segundo caso, um funcionário vendeu, por R$ 113,00, enfeites de flores para um caixão lacrado (que, pelo modelo, não leva enfeites). Ambos os casos foram apresentados pela Rede Globo."Desde que cheguei aqui, já fiz centenas de remanejamentos de funcionários de cemitérios, velórios e agências para evitar a fixação de hábito do servidor e coibir a corrupção."As mudanças na Secretaria de Serviços e Obras (SSO), com a entrada do novo secretário, Jorge Hereda, devem começar pelo Serviço Funerário.Nesta segunda-feira, Hereda determinou a abertura de duas sindicâncias para investigar denúncias no setor.Esta semana, ele pretende conhecer melhor os departamentos que compõem sua pasta e começar a montar uma "equipe de confiança" na secretaria. Sua visita ao Serviço Funerário está marcada para esta terça-feira à tarde. O Ministério Público Estadual (MPE) e a Ouvidoria do Município também investigam a máfia das funerárias.Nesta segunda-feira, o promotor José Carlos Blat, do Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco), solicitou ao Serviço Funerário cópias das tabelas de preços do órgão para apurar possíveis irregularidades. "Já tínhamos conhecimento de denúncias desde 1999 ", afirmou Blat. "Só mudaram o esquema." Segundo o promotor, há queixas de superfaturamento, fraude em licitação, corrupção na venda de caixões e flores, pagamento de propina e furto de cheques.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.