''Esse plano não pode ser só anúncio''

Diretora da SOS Mata Atlântica elogia medidas do governo estadual contra desmatamento, mas cobra continuidade

Eduardo Nunomura, O Estadao de S.Paulo

14 Fevereiro 2009 | 00h00

"Esse plano de fiscalização não pode ser só um anúncio, mas uma rotina e com o compromisso de continuidade", diz Márcia Hirota, diretora da Fundação SOS Mata Atlântica. Ambientalista com 15 anos de experiência no mapeamento de remanescentes, ela aplaude as medidas que o governo estadual adotará, incluindo a criação de um novo parque e o aumento no rigor da fiscalização. "Não podemos permitir que novos desmatamentos venham a ocorrer e não devemos ficar correndo atrás dos pontos que já foram desmatados, mas daqueles que ainda estão ameaçados."Segundo Márcia, por muito tempo São Paulo foi pioneiro em políticas ambientais, mas ultimamente perdeu a vanguarda na área. A criação de novas unidades de conservação é fundamental para o Estado reassumir esse papel, pois sinaliza que áreas remanescentes bem conservadas ganharão proteção. "A presença do poder público impede que novos desmatamentos aconteçam." Ela cobra, contudo, que o Estado promova educação ambiental. "Se a pessoa não sabe que aquele parque é dela, se pensa que é do governo, ela não cuida", diz.A SOS Mata Atlântica será convidada a participar dos sobrevoos na Operação Olhos de Águia. Segundo Márcia Hirota, eles serão importantes porque permitirão combater até os desmatamentos menores. A organização não-governamental mapeou 21 pontos em que houve aumento do corte ilegal nos últimos três anos e a região da Cantareira que concentrou o desmate.Já a Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema) garante que não houve desmatamento significativo e recente nos 21 pontos. Os técnicos compararam as imagens atuais da Cantareira e do entorno com as tiradas em 2002 pelo satélite Ikonos. Percebeu que em 11 pontos já havia desmate. A Polícia Ambiental foi a campo averiguar o que teria ocorrido nos polígonos apontados pelo Inpe e pela SOS Mata Atlântica. Confirmou que os 11 pontos possuíam cortes anteriores a 2005. E descobriu que em dois polígonos havia licenciamentos autorizados e em outros dois a vegetação estava até mais desenvolvida. Nos últimos seis, encontrou indícios de desmatamento, porém já havia plantações de eucalipto."Quem não conhece e vê pensa que é um desmatamento", diz o capitão Raimundo Ferreira Filho, da Polícia Ambiental. "Mas vimos que não eram significativos ou eram cortes mais antigos." O Estado verificou, no entanto, que houve supressão recente de mata nativa em três desses pontos, dois em Mairiporã e no aterro do Cabuçu, em Guarulhos.

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