''Está se fazendo enorme retórica em torno de nada''

Quando foi escolhido para fazer o projeto do PAC dentro da Rocinha, em São Conrado, o arquiteto Luiz Carlos Toledo se mudou para a favela. Alugou uma casa, deixou as portas abertas para discutir à exaustão com os moradores o que planejou na maior favela da zona sul carioca. A pedido do governo do Estado, margeando a via de 2,8 km que ele projetou para separar a favela da área verde, Toledo incluiu o muro. O arquiteto não esperava tanta polêmica. No seu projeto original, não havia o muro. Por que o senhor concordou em fazê-lo? Está se fazendo uma enorme retórica em torno de nada. Não há muro que segure o crescimento de uma favela se não houver fiscalização. O muro vai ajudar a conter. É um limite visual tanto para o fiscal quanto para o morador. Ao lado do muro, haverá uma faixa de 1,50 metro totalmente livre. As pessoas vão poder circular por um caminho muito melhor do que hoje. Não é agressivo um muro de concreto de 3 metros de altura? O muro que eu projetei não é assim. Até 1,20 m é de concreto. Os outros 2 metros são de cobogós, um tijolo vazado. Eu não tiro da Rocinha nem a ventilação nem a visão da floresta ao lado. E o fiscal vai poder ver se está sendo construído algo além do muro. O senhor esperava tanta discussão em torno do muro? Não, eu estou meio apavorado com o que ando ouvindo. Tem gente falando em remoção. Não dá para fazer aquele flagelo que foram as remoções de décadas atrás.

, O Estadao de S.Paulo

18 de abril de 2009 | 00h00

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