Estabilização do solo levará 6 meses

Chuva recorde de 1 mil litros por metro quadrado saturou parte da argila dos terrenos; há possibilidade de erosão

Júlio Castro, O Estadao de S.Paulo

04 de dezembro de 2008 | 00h00

Os terrenos que receberam a chuva recorde do mês de novembro, equivalente a 1 mil litros de água por metro quadrado, vão demorar pelo menos seis meses para se estabilizar. Enquanto isso, o solo permanecerá instável e sujeito a novos deslizamentos, por causa do maior ciclo de chuva que já caiu sobre a região do Vale do Itajaí, a mais atingida pela enchente em Santa Catarina, onde oficialmente 118 pessoas morreram - 98% vítimas de deslizamentos. Essas ocorrências resultam da saturação de água numa parte do subsolo - na camada argilosa, conforme explica Luiz Fernando Scheib, coordenador do Laboratório de Análises Ambientais da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Normalmente a água chega nesse nível e flui para um nível inferior em condições normais de chuva. Com a intensidade pluviométrica, houve um encharcamento generalizado da camada argilosa, diminuindo a capacidade de absorção. "A intensidade da chuva foi tão grande que essa camada chegou ao limite de sua liquidez. Deixou de exercer um papel predominante no processo de absorção", afirma o geólogo. Segundo Scheib, um novo planejamento de ocupação terá de ser executado, considerando as anomalias e transformações contraídas pelo solo decorrentes dos deslizamentos. "Seria vital que os governantes levassem em consideração essas transformações. A geologia nesses terrenos sofreu muitas transformações", alerta. Scheib cita como exemplo Blumenau. Na parte sul da cidade, o solo, segundo análise geológica, é formado por uma seqüência de sedimentos vulcânicos e grande parte por material argiloso e arenoso, com maior possibilidade de erosão. ESTRADASDezesseis rodovias catarinenses danificadas pelas chuvas ainda registravam trechos de interdição ontem. Na BR-470, a queda de barreiras e o desmoronamento da pista fecharam totalmente o km 14,9, em Navegantes, e o trecho do km 41 ao 47, em Gaspar, e parcialmente o km 63, em Blumenau, e o km 86, em Rodeio. A circulação está restrita à meia pista na BR-101, no km 13, em Garuva, onde a barreira cedeu, e entre o km 222 e o km 237, em Palhoça, por causa do recapeamento de pista. Também há bloqueio parcial na BR-282, entre o km 31 e o km 34, em Águas Mornas, e no km 79 (Rancho Queimado).

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