Estação Pinacoteca expõe obras recuperadas

Jessica Stuenkel, de 24 anos, se assustou ao ser abordada ontem de manhã pelos repórteres que, com blocos, microfones e câmeras, queriam uma opinião sua. Com duas amigas, a estudante de Arquitetura de São Francisco, nos Estados Unidos, queria ver o prédio da Estação Pinacoteca, mas teve seus minutos de fama por ter sido a primeira a visitar as quatro obras roubadas da Pinacoteca, que voltaram a ser expostas ontem. Mulheres na Janela (1929), óleo sobre cartão de Di Cavalcanti; O Pintor e seu Modelo (1963), gravura de Pablo Picasso; Minotauro, Bebedor e Mulheres (1933), outra gravura de Picasso; e Casal (1919), guache sobre cartão de Lasar Segall, foram roubados no dia 12 de junho por três homens armados, que pagaram ingresso e renderam funcionários. O roubo ocorrera menos de seis meses após o furto das telas de Picasso e Portinari no Masp, o que aumentou a polêmica sobre a segurança em museus. Jessica não sabia de nada disso ao chegar à última sala do segundo andar, às 10h45. Nem imaginava que havia ali duas obras de Picasso. Ela gostou mesmo foi de Di Cavalcanti. "Dá para sentir que é bem brasileiro", disse, querendo explicar a brasilidade das mulatas. Maria Alice Milliet, diretora e curadora da Fundação Nemirovsky, dona dos quadros e gravuras, sentiu alívio. Ela temia a perda definitiva. "São poucas as obras de Picasso no Brasil", disse. Além de ser uma das poucas obras de Di Cavalcanti na década de 1920, Mulheres na Janela representaria uma perda afetiva. A pintura foi o último presente de José Nemirovsky à mulher, Paulina. Entre as décadas 1960 e 1980, o casal comprou centenas de obras de arte, que hoje compõem o acervo da Fundação Nemirovsky.

Humberto Maia Junior, O Estadao de S.Paulo

27 Agosto 2008 | 00h00

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