Estado aposta em obra de R$ 1 bi

Meta é 100% de coleta e tratamento até 2018; 80% do financiamento depende do aval do BID

Eduardo Reina, O Estadao de S.Paulo

17 de novembro de 2008 | 00h00

A Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) tem como meta universalizar a coleta e o tratamento de esgotos na Região Metropolitana de São Paulo até 2018. Para tanto, prepara a fase 3 do Projeto Tietê. Hoje, técnicos do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) estarão em São Paulo para analisar o programa e dar o aval para um empréstimo de US$ 800 milhões, escalonado até 2014. Outros US$ 200 milhões ficarão como contrapartida do governo do Estado. Um terço da poluição do Rio Tietê tem como origem o lixo jogado nas ruas, de acordo com a Sabesp. A meta do governo é que 100% da população teria todo o esgoto coletado e tratado no fim da próxima década.Nas duas primeiras etapas do Projeto Tietê, iniciado em 1992, foram eliminados 2.250 pontos de extravasamento nos rios e córregos, segundo o assistente-executivo da Diretoria de Tecnologia, Empreendimento e Meio Ambiente, Antonio César Costa e Silva. Nessas duas fases passaram a ser recolhidos os dejetos de 1,8 milhão de pessoas e efetivamente tratados os resíduos de 1,6 milhão. Desde o início do projeto, já houve redução de 120 quilômetros na mancha de esgotos do Tietê."Na terceira etapa, que começará nos próximos meses, mais 2.500 pontos serão conectados à rede", afirma Silva. A expectativa é atender mais 1,5 milhão de habitantes com coleta e 3 milhões com tratamento. A Prefeitura também age na limpeza dos ribeirões locais. O Programa Córrego Limpo prevê despoluir mais 1.100 corpos de água em todo Município, em parceria com o Estado. Entre as áreas que já passaram pelo projeto estão o Córrego do Sapateiro, no Ibirapuera, zona sul, e o lago do Horto Florestal, na zona norte. "E está em fase de conclusão o trabalho de conexão de mais de cem grandes lançadores, que vertiam mais de 2 mil litros por segundo de esgoto no Rio Pinheiros", diz Silva. POLUIÇÃO DIFUSAO trabalho de conexão dos ramais aos troncos coletores, interceptores e emissários, segundo a Sabesp, nunca vai terminar. "O desafio é imenso. A cada ano, a cidade de São Paulo cresce com a chegada de 200 mil a 300 mil pessoas. Mesmo após a ligação de todos à rede, será preciso ter uma limpeza urbana mais eficiente, com melhor coleta de lixo, pois a poluição difusa (sujeira que vai para os rios) cresce quando se limpa o esgoto", explicou o técnico. Dados da Sabesp mostram que as cinco estações da tratamento da empresa têm juntas capacidade de atendimento de 8,4 milhões. Os 39 municípios da Região Metropolitana somam quase 20 milhões.O grau de poluição difusa está relacionado com os hábitos higiênicos da população, o nível de educação sanitária e ambiental dos moradores de uma cidade. Esse tipo de poluição é o resultado do lançamento sem tratamento de águas residuárias de qualquer natureza que não chegam, como deveriam, a uma estação de tratamento de esgotos. São águas pluviais contaminadas com a sujeira das ruas e esgotos lançados clandestinamente nas galerias de água. "A poluição difusa na Região Metropolitana é de tal monta que mesmo se todos os esgotos sanitários e despejos industriais fossem tratados nossos rios estariam poluídos", diz o engenheiro José Eduardo Cavalcanti, do Instituto de Engenharia.

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