Estado comete ´genocídio´ com descaso na saúde, diz Cabral

Depois de inspecionar o Hospital Albert Schweitzer, em Realengo, um dos principais da zona oeste do Rio, nesta quarta-feira manhã, o governador Sergio Cabral Filho afirmou que dará um "choque de gestão" naquela e nas demais unidades de saúde do Estado, para que elas saiam da situação "de calamidade pública" em que se encontram. Logo que assumiu, Sérgio Cabral Filho decretou situação de emergência na saúde, como forma de permitir contratações e compras rápidas. O hospital, que faz 25 anos em 2007, atende a 600 pacientes por dia, só no setor de emergência. Ele prometeu que o quadro será revertido já nos primeiros meses de seu mandato. "Isso é um verdadeiro caso de polícia. Uma coisa é o criminoso matando inocentes; outra é o Estado cometer genocídio. Aqui se morre mais gente do que na luta lá fora", declarou Cabral Filho, que passou cerca de quinze minutos em cada setor visitado. "Num curto espaço de tempo isso vai mudar. Não estou preocupado em nada mais no meu governo que não seja dar à população saúde, segurança e educação." O governador percorreu o hospital durante uma hora e meia, ao lado de seu secretário de Saúde, Sérgio Côrtes, e o novo diretor do Albert Schweitzer, César Fontes Rodrigues. Cabral Filho se disse "chocado" com o que viu: pacientes sem atendimento, nos corredores; equipamentos quebrados; almoxarifado sujo, molhado e com baratas; enfermarias fechadas; obras paradas; falta de medicamentos e de profissionais; tetos quebrados; elevadores sem funcionar. Ele não acredita que o problema seja carência de recursos, e sim de uma administração eficiente. Sérgio Côrtes não quis estabelecer prazos para que as melhorias no sistema sejam sentidas - acredita que, primeiro, é preciso que seja concluído um diagnóstico dos doze hospitais do Estado, o que ainda levará tempo. Côrtes garantiu, no entanto, que o tratamento será imediatamente humanizado. "As filas vão continuar, mas será um profissional de saúde que irá avaliar que paciente será atendido, e não um vigilante", assegurou. Ele ressaltou que a prioridade será investir na atenção básica, para que as emergências deixem de ficar superlotadas. Bombeiros serão chamados para ajudar na organização do almoxarifado e da farmácia do Albert Schweitzer, que nesta quarta-feira recebeu remédios enviados pelo governo federal. O mesmo deverá acontecer em outras unidades. Depois da inspeção, pacientes se mostraram esperançosos. "Isso aqui é uma droga, mas venho porque é o mais perto da minha casa. Vamos ver se agora o governador vê as nossas necessidades e a situação melhora", disse a dona de casa Solange Ribeiro, de 50 anos. Já alguns funcionários demonstraram ceticismo. "Aqui nada presta e não adianta vir a autoridade e dizer que vai fazer isso e aquilo. Eu já vi este filme", disse uma enfermeira com quatro décadas de experiência.

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