Estado compra briga pelo patrimônio em SP

O governo do Estado publicará no Diário Oficial, nos próximos dias, a desapropriação do conjunto de edificações do antigo Moinho Gamba, concorrente direto do conde Francisco Matarazzo no século passado, localizado na Mooca, zona leste de São Paulo. O objetivo é construir um museu no local, conhecido hoje como Moinho Santo Antônio.Esse seria um assunto puramente cultural, não fosse o imóvel um dos motivos da guerra travada nos últimos dois meses entre a Câmara Municipal, o Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico (Conpresp) e o setor imobiliário. Desde junho, o Conpresp restringiu a construção de prédios vizinhos a bens históricos do Museu do Ipiranga e do Parque da Aclimação, zona sul, e na região de galpões industriais da Mooca. Houve protestos generalizados das construtoras na cidade.Grandes empresas têm empreendimentos lançados ou prestes a sair do papel nesses três bairros. No Ipiranga, a chegada da estação de metrô esquentou o ramo de imóveis. Os galpões da zona leste deram lugar a uma pólo de lançamentos batizado pelo mercado de Nova Mooca.Rapidamente, vereadores assumiram o discurso das empresas imobiliárias e aprovaram um projeto de lei, na quinta-feira, que retira o poder do Conpresp. No dia seguinte, o prefeito Gilberto Kassab (DEM) afirmou que vetaria o projeto, mas assumiu ser favorável a mudanças no conselho.A julgar pela movimentação que as brigas na Câmara provocaram no Palácio dos Bandeirantes, porém, a situação não será revertida nessas regiões nem mesmo se o Conpresp recuar e liberar os arranha-céus na Mooca, no Ipiranga e na Aclimação.Na segunda-feira, o Conselho Estadual de Defesa do Patrimônio Histórico, o Condephaat, analisará as resoluções tomadas pelo Conpresp nessas regiões. Segundo João Sayad, secretário estadual de Cultura - pasta à qual o Condephaat está submetido -, a tendência é de os conselheiros referendarem as restrições aprovadas no âmbito municipal. ''''Tem de haver um equilíbrio entre preservação do patrimônio e interesses do mercado imobiliário, que são legítimos. Isso foi rompido nesse conflito'''', disse Sayad.PAISAGEMO argumento usado pelos técnicos do patrimônio para vetar prédios nos terrenos vizinhos a bens históricos é o da preservação da paisagem. No Ipiranga, a parede de arranha-céus poderia comprometer o conjunto arquitetônico e a visão da colina de onde d. Pedro I proclamou a Independência e onde hoje está o museu que serve de estampa a folhetos de novos empreendimentos da região.Na Mooca, no quadrilátero colado à linha ferroviária, a iniciativa do Conpresp foi a primeira para proteger uma área que tem construções importantes da história econômica da cidade, desde o Gamba, hoje desapropriado, aos armazéns da antiga São Paulo Railway, de 1898.

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