Estado divide Carandiru, cria três penitenciárias e um hospital

A descentralização da Casa de Detenção, anunciada nesta sexta-feira com a criação das Penitenciárias 1, 2 e 3 e da Divisão de Saúde, permitirá que o governo tenha condições de retomar o controle do maior presídio da América Latina, na luta contra a corrupção, o tráfico de drogas e organizações criminosas como o Primeiro Comando da Capital (PCC).O hospital que está sendo montado no Pavilhão 4 vai atender 70% dos doentes dos presídios da capital e Grande São Paulo. Quando houver necessidade de cirurgia, os detentos de todo o Estado serão transferidos para a capital. Com essa medida, a Secretaria da Administração Penitenciária acredita que os resgates, freqüentes em hospitais e pronto-socorros, vão acabar.Os três diretores escolhidos para as unidades que vão substituir a Casa de Detenção anunciaram nesta sexta-feira seus planos. O novo esquema começa em 30 dias. Localizada no Carandiru, na zona norte da capital, a Casa de Detenção tem hoje 7.161 detentos.O maior presídio da América Latina carregará em sua história o massacre dos 111 presos do Pavilhão 9, muitas rebeliões e denúncias.As Penitenciárias 1, 2 e 3, criadas em decreto a ser assinado pelo governador em exercício Geraldo Alckmin (PSDB), serão chefiadas respectivamente por Jesus Ross Martins, Aniceto Fernandes Lopes e Sérgio Zeppelin Filho. "Cada unidade terá sua administração e seu corpo de agentes. Não haverá celas individuais. A segurança externa, a das muralhas, continuará sendo feita pela Polícia Militar", explicou Martins.Atual diretor-geral do presídio, ele chefiará a Penitenciária 1, que vai englobar os Pavilhões 2, 5 e 8. Nestes três pavilhões estão hoje 3.998 detentos autores de assaltos, assassinatos e responsáveis pelo tráfico de drogas.Sérgio Zeppelin Filho, que era diretor da Penitenciária 2 de Franco da Rocha, será o responsável pela Penitenciária 2 do Carandiru, que vai reunir os Pavilhões 7 e 9, hoje com 2.813 presos nesses dois locais.Aniceto Fernandes Lopes, que nos últimos cinco anos foi diretor da Penitenciária do Estado, será o responsável pela Penitenciária 3, que vai absorver o Pavilhão 6, onde estão 166 detentos, em sua maioria estrangeiros.O presídio 3 será de trânsito. Os presos que estão cumprindo pena em cadeias do interior do Estado e precisam ser transferidos para audiências na capital vão ficar nesse local.O secretário da Administração Penitenciária, Nagashi Furukawa, autor da idéia da descentralização, disse nesta sexta-feira que o decreto da descentralização está sendo analisado pelo Departamento Jurídico da secretaria e será encaminhado no começo da semana para o governador em exercício. Furukawa não participou da entrevista com os diretores escolhidos.Ele disse que os três tinham condições de explicar como será a reformulação do complexo penitenciário porque estão trabalhando no projeto há algumas semanas. O secretário adiantou que a descentralização já começou.O responsável pela Divisão de Saúde que irá funcionar no Pavilhão 4 deverá ser escolhido em poucos dias. Um dos andares está pronto. Os outros três começam a ser reformados a partir dos primeiros dias de fevereiro.A masmorra que funcionava no térreo do Pavilhão 4, onde ficavam os detentos jurados de morte no presídio, foi fechada no fim do ano passado. Os presos que estavam cumprindo condenação em celas individuais foram transferidos. Muitos deles tinham comprado o espaço pagando até R$ 5 mil. Hoje, estão nas celas presos em tratamento e outros da faxina.

Agencia Estado,

26 de janeiro de 2001 | 21h03

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