Estado está morto no País, diz especialista em crime organizado

Falta de vigilância na Amazônia e nas favelas brasileiras possibilita organizações criminosas, dizem professores

Mônica Aquino, do estadao.com.br,

28 de novembro de 2007 | 18h54

Jorge Zaverucha, professor da Universidade Federal do Pernambuco (UFPE), afirmou que há uma "morte do Estado" no País. A declaração foi feita durante o debate Crime Organizado e Terrorismo - Perspectivas Nacionais e Internacionais, na manhã desta quarta-feira, 28, na Universidade de São Paulo (USP). Para ele, o aparato do Estado não entra nas favelas do País e não está nas regiões fronteiriças da Amazônia.   "Sempre que o Estado entra nas favelas, entra como repressor", afirmou Zaverucha. Para ele, o crime organizado só existe porque há todo um aparato permissivo no País. "Políticos, juízes, agentes penitenciários, policiais, todos fazem parte do crime", disse, considerando que é preciso pensar como nasce o crime e, a partir disso, desenvolver maneiras para combatê-lo.   A afirmação foi feita após o professor da Universidade de Brasília (UnB) Argemiro Procópio Filho afirmar que o crime organizado ligado a redes internacionais migrou da tríplice fronteira - na divisa entre Brasil, Argentina e Paraguai - para a região da Amazônia. Segundo ele, a migração aconteceu depois dos atentados terroristas de 11 de setembro de 2001, quando o governo dos Estados Unidos e de Israel intensificaram a vigilância na fronteira dos três países sul-americanos.   Segundo Procópio Filho, há um fenômeno de migração na Amazônia, principalmente na região de fronteira com países como a Guiana, o Suriname e a Venezuela. "Antes, os brasileiros que iam morar na Guiana tinham altas graduações, iam ser médicos; agora, são pessoas de baixa renda que vão trabalhar em garimpos ou então mulheres que vão se prostituir."   "Há um vácuo do Estado na Amazônia", afirmou o professor da UnB. Para ele, a falta de vigilância na região amazônica faz com que diversos crimes sejam cometidos no local. "Desde o tráfico de drogas até crimes de degradação ambiental".   Procópio Filho também questionou o fato de o Brasil ter deixado de ser líder na exportação de sapatos, "a China passou nossa marca e se tornou o maior exportador. É preciso que os governos se perguntem de onde vem o couro usado na indústria chinesa, já que o país asiático não tem tradição pecuarista e, portanto, não tem de onde tirar a matéria-prima."   Também participaram do encontro a professora Louise Shelley, da Mason University, nos Estados Unidos; e a canadense Margaret E. Beare, do Centro Nathanson, que estuda o crime organizado e a corrupção no País. O encontro faz parte do seminário internacional sobre crime organizado e democracia, organizado pelo Núcleo de Estudos da Violência (NEV) da USP.

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