Estado foi avisado sobre bombas, diz agente penitenciário

O presidente do Sindicato dos Funcionários do Sistema Prisional, Nilson de Oliveira, afirmou hoje que pelo menos dois funcionários da portaria da sede da Secretaria de Administração Penitenciária foram avisados sobre o primeiro atentado à bomba no local, ocorrido na quarta-feira. Os agentes teriam sido avisados um dia após o atentado contra um ônibus que transportava agentes penitenciários, em São Vicente, no dia 29 de janeiro, deixando um funcionário morto, Jânio Antônio Mendonça e outros seis feridos. A revelação reforça as suspeitas de relação entre os dois crimes e o novo atentado à sede da secretaria, na noite de anteontem. Os crimes tiveram autoria reivindicada pelo Primeiro Comando da Capital (PCC). Oliveira afirmou que avisou ao secretário-adjunto de Administração Penitenciária, José Antônio Rolim, sobre a ameaça, mas nada foi feito. "Eles não deram detalhes sobre o atentado, mas era uma ameaça real. O Estado tinha de ter ficado atento, depois do que ocorreu em São Vicente", disse o presidente do sindicato. "O secretário não sabia de nada e também não fez nada para evitar."EleiçõesOliveira disse também que, em conversa com funcionários da Penitenciária de Presidente Bernardes, no Interior de São Paulo, soube de uma determinação de líderes do PCC para que funcionários não sejam atacados nem mortos até às eleições majoritárias, marcadas para outubro. "Agora, o Estado tem de se precaver. A preocupação está aumentando", disse Oliveira. "Nos preocupamos com todos os funcionários que estão dentro dos presídios." Ele estima que há, no Estado, 19 mil agentes penitenciários.Na próxima terça-feira, o sindicato tem uma reunião agendada com o secretário da Administração Penitenciária, Nagashi Furokawa, para discutir, entre outros pontos, mais proteção à categoria. Na sede da secretaria, no centro de São Paulo, nenhum funcionário deu declarações à reportagem.

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