Estado libera 3º terminal de Cumbica

Obras viárias e trem expresso consolidam aeroporto até 2020

Bruno Tavares e Diego Zanchetta, O Estadao de S.Paulo

14 de setembro de 2008 | 00h00

Enquanto o governo faz suspense sobre a construção do terceiro aeroporto em São Paulo, silenciosamente uma conjunção de obras municipais, estaduais e federais vão consolidar Cumbica, em Guarulhos, como o mais importante do País pelo menos até 2020. Fazem parte desse pacote antigos projetos, como a construção do terceiro terminal de passageiros, o trem expresso até o centro da cidade e um minianel viário. A licença ambiental, último passo antes do início das obras, foi concedida em 20 de agosto pela Secretaria de Estado do Meio Ambiente.Além do impacto ambiental das intervenções, o documento define a desapropriação de 572 famílias do Jardim Portugal, bairro erguido a 70 metros da cabeceira de uma das pistas de Cumbica. Em janeiro, após a decisão do Ministério da Defesa de abortar o plano de construção da terceira pista, autoridades afirmaram aos moradores que ninguém teria de ser removido. A Empresa Brasileira de Infra-Estrutura Aeroportuária (Infraero) alega que a operação de um novo trecho de uma das pistas de taxiamento colocará o bairro em risco.Atrasado em cinco anos, o terceiro terminal de Cumbica dará uma sobrevida ao aeroporto, cuja capacidade de 17 milhões de passageiros ao ano já foi dada como esgotada pelo governo. A ampliação, orçada em R$ 980 milhões (R$ 833 milhões estão previstos no PAC), fará o aeroporto ter condições de receber 29 milhões de pessoas por ano. "Não tenho dúvidas de que seremos o aeroporto da Copa de 2014", assegura o superintendente de Cumbica, João Márcio Jordão.Embora a Infraero tenha incluído no pedido de licença ambiental a construção de um quarto terminal de passageiros, a obra é desaconselhada pelos técnicos. Estudo elaborado por pesquisadores do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) indica que a construção da terceira pista e do terceiro terminal em Cumbica reduziria em até 40% o atraso médio nas operações. Por estarem muito próximas, as duas pistas não podem operar simultaneamente. "Sem a terceira pista, Cumbica é um aeroporto para, no máximo, 30 milhões de passageiros ao ano. Mais do que isso não agüenta", afirma o engenheiro Cláudio Jorge Pinto Alves, do ITA. "Os investimentos são importantes, mas não excluem a necessidade de se encontrar um novo sítio para atender São Paulo."MINIANELParte das mudanças no viário, como o remodelamento da Avenida Jamil João Zarif, integra o Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) assinado entre a Infraero e o governo do Estado em março. O TAC foi a alternativa encontrada pelas duas partes para compensar o impacto ambiental causado pela instalação do aeroporto na periferia de Guarulhos, na década de 80. Na época, o estudo e o relatório de Impacto Ambiental (Eia/Rima) para grandes empreendimentos não eram obrigatórios.A construção do minianel viário tem como principal objetivo facilitar o escoamento de cargas entre Cumbica e o Porto de Santos. A idéia é unir a Rodovia Hélio Smidt, atual acesso aos terminais, ao prolongamento da Avenida Jacu-Pêssego, na zona leste da capital, cujo último trecho atingirá a Via Dutra até o fim de 2009. O novo eixo também vai ligar o aeroporto ao Dry Port São Paulo, entreposto comercial com autorização alfandegária do governo federal. Quando as obras de ampliação estiverem prontas, ele terá capacidade para receber até 3 mil caminhões por dia.O projeto do trem expresso, interligação entre o aeroporto e a Estação da Luz, no centro da capital, também está adiantado. A previsão é de que o edital de licitação seja publicado em um mês. Se o cronograma da Secretaria dos Transportes Metropolitanos for mantido, o serviço estará disponível em 2011.Apesar dos investimentos de R$ 2 bilhões para tornar Viracopos, em Campinas, o principal aeroporto da América do Sul, o projeto esbarra nas desapropriações - donos de terras na região contestam na Justiça as indenizações previstas pela Infraero. "Nenhum outro aeroporto paulista teve a licença ambiental para a ampliação dada como a Guarulhos", diz a geóloga Ana Cristina Costa, diretora do Departamento de Avaliação de Impacto Ambiental (Daia) da Secretaria do Meio Ambiente.

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