Estado teve 400 mortos à bala na guerra do PCC

O presidente do Conselho Estadual de Direitos Humanos (CONDEPE), Frederico Santos, e o advogado Dalmo Dallari fizeram duras críticas ao secretário da Segurança, Saulo de Abreu, sobre a falta de transparência na divulgação de informações sobre as mortes ocorridas na guerra iniciada pelo Primeiro Comando da Capital (PCC) no mês passado. O Conselho Regional de Medicina (CRM) divulgou na terça-feira que mais de 400 pessoas foram mortas por arma de fogo no Estado entre os dias 12 e 19. Esse número inclui todo tipo de caso, mesmo crimes passionais ou suicídios. Mas significa que a média diária de mortes por arma de fogo passou de 20 para 50 no auge dos ataques.Santos e Dallari integram uma Comissão Especial formada para acompanhar as investigações e reuniram-se com o procurador-geral de Justiça, Rodrigo Pinho, e entidades de defesa dos direitos humanos. "Principalmente depois da entrada do Saulo Abreu, temos tido dificuldades para conseguir informações sobre crimes. A secretaria não tem diálogo com a sociedade civil e omite dados", disse Santos, do CONDEPE, subordinado ao Ministério da Justiça. "A falta de transparência da secretaria só reforça os indícios de que houve abuso por parte da polícia em São Paulo." Segundo ele, o CONDEPE solicitou os laudos das mortes à secretaria, por meio de ofícios encaminhados ao secretário, mas não obteve resposta. Em reunião com Pinho, Santos pediu que seja criada uma Comissão Especial para apurar as mortes ocorridas em Guarulhos, onde houve maior número de casos, segundo o CRM: 56. Também pediu autorização para que a Comissão Especial acompanhe o trabalho dos promotores com reuniões periódicas e acesso aos laudos das 122 mortes ocorridas em confronto com a polícia no Estado, pelos dados oficiais. Esses dados excluem, por exemplo, as chacinas ocorridas no período. "O secretário não pode achar que é sozinho e acima de qualquer autoridade", afirmou Dallari. "Sonegar dados à autoridade competente é ilegal, uma falha administrativa grave."Os números do CRM ainda são preliminares e até sexta-feira devem ser divididos por região. Mas, segundo o vice-presidente do órgão, Henrique Carlos Gonçalves, já foi possível notar que Guarulhos e a Baixada Santistas foram as regiões com maior aumento de casos em relação à média diária desse tipo de óbito."Os números são elevados e se chocam com os da secretaria, mas temos de apurar antes de antecipar conclusões", disse Pinho. Ele admitiu que o Ministério Público teve "dificuldades de acesso às informações sobre as mortes". "Mas isso já foi resolvido."Segundo Neudival Mascarenhas, promotor de Justiça e assessor de Pinho, ainda faltam 12 dos laudos prometidos pela secretaria. Além das 122 mortes anunciadas mais 3 casos de mortes em confronto com a polícia foram localizados pelo Infocrim - sistema de informática da própria secretaria.A secretaria informou que só não enviou ainda os laudos de mortos em chacinas, que ainda estão sendo investigados. Mas prometeu atender a "qualquer" pedido do Ministério Público.Texto alterado em 15 de junho, para correção da informação de que Frederico Santos é presidente do Conselho Estadual de Direitos Humanos (CONDEPE)

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