''Estado'' teve censores na redação

Ditadura, regime militar, governo forte e situação de guerra, seja qual for o nome que se dê aos períodos de exceção, sempre foram sinônimos de censura para O Estado de S. Paulo. Antes de sofrer a mordaça imposta pelo desembargador Dácio Vieira, que proibiu a divulgação de informações sobre atividades suspeitas do empresário Fernando Sarney, o jornal enfrentou quatro longas investidas dos censores no século 20 - da revolta paulista contra o presidente Artur Bernardes em 1924 à vigência do Ato Institucional n.º 5, em 1968.

José Maria Mayrink, O Estado de S.Paulo

31 de julho de 2010 | 00h00

A censura, que havia rondado a Redação em 1917, quando o Brasil entrou no conflito contra a Alemanha, na 1.ª Guerra Mundial, voltou na Revolução Paulista de 1924. O Estado foi perseguido pelas duas partes - primeiro pelas forças rebeldes e depois pelo governo federal. Julio Mesquita, diretor do jornal, foi preso.

Na ditadura de Getúlio Vargas, o jornal foi censurado após a Revolução Constitucionalista de 1932 e ao longo dos anos que se seguiram ao golpe de 1937. Os diretores Julio de Mesquita Filho e seu irmão Francisco Mesquita foram presos e exilados para Portugal em 1932. Julio de Mesquita Filho voltou a ser preso em 1937 e logo libertado. Era a primeira de 17 prisões, até novembro de 1938, quando foi exilado para a França, de onde foi para a Argentina. Com a queda de Vargas, em 1945, retomou a direção do Estado, que havia passado mais de cinco anos ocupado.

O período mais duro da censura foi o do regime militar. Os censores que passaram a controlar o jornal em 13 de dezembro de 1968 só se retiraram em 3 de janeiro de 1975, véspera da comemoração do centenário do Estado. Os diretores Julio de Mesquita Neto e Ruy Mesquita não admitiram a autocensura. Deram ordens para que os jornalistas fizessem as reportagens normalmente. O material cortado era substituído por versos de Os Lusíadas, de Camões, no Estado e por receitas de doces e bolos no Jornal da Tarde.

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