Estados de forte produção agrícola preferiram Serra

Tolerância com MST e falta de incentivo ao setor no governo Lula explicariam vitória do tucano em 7 dos 8 principais exportadores

José Maria Tomazela SOROCABA, O Estado de S.Paulo

03 Novembro 2010 | 00h00

O candidato derrotado José Serra (PSDB) teve melhor desempenho que a presidente eleita Dilma Rousseff (PT) nas regiões com tradição no agronegócio brasileiro. O tucano superou a petista em São Paulo, Rio Grande do Sul, Paraná, Santa Catarina, Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, que respondem juntos por mais de 70% da produção brasileira de cana-de-açúcar, carnes, suco de laranja, fibras têxteis e grãos.

No Sul, a vitória de Serra foi completa no segundo turno, com a conquista da maioria dos eleitores no Rio Grande do Sul. Os três Estados da região respondem por 18,5% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional.

Conforme dados do IBGE, o Rio Grande do Sul tem o quarto PIB brasileiro - atrás de São Paulo, Minas e Rio -, o Paraná está em quinto lugar e Santa Catarina, em sétimo. O Sul vive um intenso processo de industrialização, mas parte significativa da economia ainda depende do campo. A produção da agricultura passa por um processo de agregação de valor através da indústria de transformação e da agroindústria. Considerada toda a cadeia gerada pelos produtos que saem do campo, o agronegócio representa quase 50% do PIB regional.

Os três Estados do Centro-Oeste que deram vitória a Serra - Dilma venceu no Distrito Federal - são considerados o celeiro do Brasil. Juntos, produzem 14,1% da produção mundial de soja, 5,9% de todo o algodão e 3,5% do milho produzido no mundo. Impulsionada pelo agronegócio, a economia da região cresceu quase o dobro da brasileira nos últimos dez anos. A região detém ainda o maior rebanho bovino nacional, com 70 milhões de cabeças (34% do total) e se transforma na fronteira de expansão da cana-de-açúcar para a produção de etanol. Os principais investimentos do setor estão previstos para essa região.

No Sudeste, Serra venceu no Espírito Santo e em São Paulo, Estado que produz 68% da cana colhida no Brasil e 29% da produção mundial. A safra de laranja dos pomares paulistas representa 79% do volume brasileiro - o País supre metade do consumo mundial de suco. O tucano conseguiu as maiores diferenças em regiões de intensa produção rural, como Ribeirão Preto (cana), São José do Rio Preto (laranja), Presidente Prudente (pecuária) e Sorocaba (grãos).

O Estado de São Paulo abriga a parte mais expressiva do parque industrial sucroalcooleiro e das indústrias de processamento da laranja. Em Minas, localizam-se as indústrias de torrefação de café e de processamento do leite.

Invasões. Em parte, a hegemonia tucana nas regiões do agronegócio pode ser explicada pelo temor dos produtores rurais quanto a uma possível política de tolerância da presidente eleita com as invasões de terra pelos movimentos de luta pela reforma agrária, especialmente o Movimento dos Sem-Terra (MST).

Líderes ruralistas também consideram que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não deu prioridade ao setor, deixando de adotar uma política de preços mínimos e de incentivo às exportações, prejudicadas pela valorização do real. A exportação dessas commodities agrícolas tem garantido o equilíbrio da balança comercial.

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